Título: 'PT deixou R$ 376 mi em caixa', diz Falcão
Autor: Ana Paula Scinocca
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/01/2005, Nacional, p. A5
O secretário de Governo da gestão de Marta Suplicy (PT), Rui Falcão, disse ontem que a administração petista deixou R$ 376 milhões em caixa para o pagamento da parcela de dezembro da dívida com a União e para honrar compromissos com prestadores de serviços e fornecedores."Nós deixamos recursos para pagar a dívida", afirmou, sem deixar claro, porém, o motivo de o pagamento não ter sido efetuado. Falcão, principal homem da gestão petista, comentou ainda que outros R$ 62 milhões - referentes ao pagamento de precatório do parque Villa-Lobos, efetuado pelo governo do Estado à Prefeitura, - também foram deixados nas contas da Prefeitura paulistana, além de R$ 85 milhões em emendas da Câmara de Deputados e R$ 18 milhões da venda de um terreno já alienado. "No dia 30 de dezembro nós deixamos R$ 376 milhões em caixa e fizemos um compromisso com o secretário de Governo, Aloysio Nunes Ferreira (da gestão de José Serra), na presença de Clóvis Carvalho (coordenador tucano do processo de transição), de que os R$ 62 milhões, assim que entrassem, seriam utilizados para amortizar a parcela da dívida." O pagamento do precatório foi feito, segundo Falcão, "no último dia, apenas em juízo". Tanto Falcão quanto o chefe de gabinete da secretaria de Finanças na gestão do PT, Carlos Fernando Costa, ressaltaram que a dívida de dezembro com a União foi empenhada e liquidada no dia 30 de dezembro, dia do vencimento da parcela. "A liquidação (da dívida), que é o compromisso efetivo da administração em pagar, foi feita no dia 30 ", afirmou Costa.
O ex-secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo disse também desconhecer ter havido confisco nas contas do governo municipal. O não-pagamento da dívida com a União teria levado o Tesouro a confiscar R$ 145 milhões - referentes ao débito com o governo federal - do caixa municipal. Anteontem, o prefeito José Serra (PSDB) confirmou que a parcela de dezembro não foi paga. O tucano, porém, negou ter havido confisco. "Não tenho conhecimento (de seqüestro de recursos)", afirmou Falcão, que negou que o pagamento da parcela da dívida de novembro tenha sido feito com atraso.