Título: Sudão tem acordo contra guerra
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Fonte: O Estado de São Paulo, 10/01/2005, Internacinal, p. A12

O governo sudanês e os rebeldes do Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA), o principal grupo rebelde do país, assinaram ontem em Nairóbi, Quênia, um amplo acordo de paz para pôr fim a 21 anos de guerra civil no sul do país. O vice-presidente sudanês, Ali Osman Mohammed Taha, e o líder da rebelião do sul, John Garang, assinaram o acordo, negociado durante meses na cidade queniana de Naivasha.

Cerca de 5 mil pessoas assistiram à cerimônia de assinatura, que contou com a presença de chefes de Estado e de governo africanos e representantes da comunidade internacional, como o secretário americano de Estado, Colin Powell.

O acordo deve pôr fim a uma guerra que começou em 1983 quando o SPLA, do sul e majoritariamente cristão e animista, se rebelou contra o norte, árabe-muçulmano. O conflito deixou mais de 2 milhões de mortos e mais de 4 milhões de pessoas tiveram de deixar suas casas.

O êxito do acordo, no entanto, não está garantido enquanto prosseguirem os combates em outras partes do país. Outro conflito foi iniciado em fevereiro de 2003 em Darfur (oeste), com um saldo provisório de 70 mil mortos e 1,6 milhão de desabrigados. Os rebeldes acusam o governo de negligência e de usar as milícias árabes para atacar os vilarejos não árabes.

Em Trípoli, Líbia, Abdel Wahed Mohamed al-Nur, líder do grupo rebelde de Darfur, Movimento de Libertação do Sudão, saudou a assinatura do acordo, mas disse que deveria haver uma paz para todo o Sudão e não apenas para o sul. "Não haverá uma paz permanente no Sudão a menos que o governo resolva imediatamente o problema em Darfur", disse.

O secretário americano de Estado pediu ao governo de Cartum e ao SPLA que trabalhem juntos para encerrar as atrocidades em Darfur. Ele acrescentou que Washington poderá aumentar suas ligações com o Sudão apenas quando as atrocidades forem contidas. "Esse relacionamento positivo somente será possível no contexto de uma paz no país todo", disse, pedindo aos dois lados que mantenham as promessas feitas no acordo de paz. Os EUA têm um interesse especial no Sudão, que deu refúgio a militantes islâmicos, entre eles Osama bin Laden, no início dos anos 90.