Título: Justiça manda PF apurar melhor o caso Waldomiro
Autor: Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/01/2005, Nacional, p. A7
A pedido do Ministério Público, a Justiça Federal devolveu ontem, pela segunda vez, o inquérito do caso Waldomiro Diniz, para que a Polícia Federal aprofunde as investigações, consideradas incompletas pelo procurador da República José Robalinho Cavalcante. No dia 13 de fevereiro, o inquérito completa um ano sem solução, em meio a uma série de atropelos nas investigações. Na primeira vez, o inquérito tinha indiciados demais - nove - e provas de menos. Desta vez, houve apenas três indiciados e o rol de provas murchou ainda mais. O diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, decidiu designar uma força-tarefa, com vários delegados, peritos e policiais de elite, para evitar novas frustrações e deslanchar as investigações. "Esse vaivém não é bom para ninguém", explicou. Até agora titular exclusivo do inquérito, o delegado Antônio César Nunes será mantido nesta nova fase, se quiser, por conhecer bem o assunto, mas sua responsabilidade será partilhada com os demais delegados. "Com o apoio de uma equipe, as chances de êxito são melhores. A sociedade espera uma resposta adequada e essa situação não é boa", disse Lacerda.
O inquérito foi remetido pela primeira vez à Justiça em abril de 2004, mas foi devolvido porque, por precipitação do procurador Marcelo Serra Azul, então à frente do caso, a produção de provas era inconsistente.
EXTORSÃO
Ele havia denunciado Waldomiro, a diretoria atual da Caixa Econômica Federal, dois diretores da multinacional Gtech e o empresário paulista Rogério Buratti por corrupção passiva, formação de quadrilha e outros crimes. Buratti foi assessor da prefeitura de Ribeirão Preto, em 1993, quando era prefeito o atual ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
Waldomiro e Buratti foram acusados de envolvimento em irregularidades na renovação de contrato entre a Gtech e a Caixa para operação da rede de loterias do País, um negócio que rendeu R$ 650 milhões de comissão à multinacional. Reaberto o caso, César Nunes concluiu que só havia provas de envolvimento de Waldomiro e Buratti nos crimes de tráfico de influência e extorsão e inocentou os demais. Ele incluiu um terceiro nome na denúncia, o do jornalista Etelmino Petrosa, acusado de falso testemunho.
Subchefe de assuntos parlamentares da Presidência da República, Waldomiro foi afastado do cargo em fevereiro passado após a divulgação de fita de vídeo em que aparece negociando propina com o empresário de jogos Carlos Cachoeira, quando dirigia a Loteria do Estado do Rio (Loterj), em 2001. Investigações do próprio Palácio do Planalto constataram que Waldomiro continuou realizando negócios escusos já no atual governo federal, para o qual foi trazido pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
O caso Waldomiro foi o primeiro escândalo de corrupção do governo Lula e causou grande desgaste à imagem do ministro Dirceu, que desde então teve seu desempenho afetado. As diretorias da Caixa e da Gtech ficaram surpreendentemente de fora da denúncia do delegado Nunes. Ele alegou que erros iniciais na condução das investigações teriam beneficiado os acusados. Por meio de nota, a Gtech afirma que a empresa foi vítima de extorsão e alega que a sua conduta na renovação do contrato foi apropriada. Diz também que a empresa cooperou com as investigações e seus funcionários responderam a todas as questões.