Título: Bird vê terra mais valorizada com o fim do protecionismo
Autor: Nilson Brandão JuniorIrany Tereza
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/01/2005, Economia, p. B4

Uma liberalização do comércio agrícola mundial faria com que o valor das terras e os salários nas zonas rurais aumentassem no Brasil. Essa é uma das conclusões de um relatório publicado pelo Banco Mundial (Bird). O estudo afirma que o retorno em investimentos na terra pode aumentar até 18% nos próximos dez anos se as barreiras aos produtos nacionais forem eliminadas. No setor do açúcar, o aumento no valor da terra seria de 22,9% no Brasil. O relatório do Banco Mundial aponta que uma reforma do sistema protecionista seria positiva na luta contra a pobreza e proporcionaria ganhos de até US$ 265 bilhões. Atualmente, os subsídios dos países ricos aos seus produtores chegam a US$ 230 bilhões, 46% do valor da exportação agrícola mundial. As projeções indicam que, sem mudança, o espaço dos países emergentes no comércio mundial não aumentará e a pobreza rural poderá explodir.

Hoje os países ricos, apesar de sua agricultura ineficiente, respondem por quase metade de todo o comércio de produtos agrícolas no mundo, graças aos subsídios. Investimentos no setor agrícola estão sendo feitos nos países pobres, mas não terão resultados se as barreiras não caírem nos principais mercados consumidores. A estimativa é de que, se nada mudar, o superávit dos países ricos passará a US$ 50 bilhões em produtos agrícolas exportados até 2015. Hoje os países ricos têm déficit de US$ 17 bilhões no setor.

Já uma reforma garantiria um aumento de 115% nas exportações dos países emergentes até 2015, chegando a US$ 300 bilhões. Brasil e Argentina seriam duas das economias que mais ganhariam. O emprego no setor rural no Brasil poderia aumentar 12,5% com a liberalização agrícola até 2015. Sem barreiras, o País poderia exportar mais e novos investimentos seriam feitos, criando empregos. No setor açucareiro, um dos que mais sofrem com o protecionismo, o aumento no número de empregos seria de 25,8%. Na Argentina, o emprego aumentaria 13,3%.

Para o Brasil, o fim das barreiras proporcionaria um aumento médio de salário de 3,4% para a mão-de-obra não qualificada no campo. Já os trabalhadores qualificados teriam aumento de 3%. Na Argentina, esse aumento seria de 7,9%. Já nos países onde o protecionismo prevalece a liberalização teria outro efeito. A Europa assistiria a uma queda de 23,7% no número de empregos no campo e o valor da terra cairia 66%.