Título: Eleições estão em risco, alerta ONU
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Fonte: O Estado de São Paulo, 13/01/2005, Internacional, p. A14

A menos de três semanas para as cruciais eleições iraquianas previstas para o dia 30, persistem os grandes problemas de logística que ameaçam minar seriamente a votação, de acordo com um memorando das Nações Unidas obtido pelo jornal americano Newsday. As cédulas ainda precisam ser impressas e distribuídas pelo país, alguns dos locais de votação permanecem muito vulneráveis a ataques e os nomes de milhares de candidatos ainda não foram incluídos na base de dados computadorizada da eleição. Somam-se a esses problemas a campanha dos rebeldes que atacam qualquer pessoa ligada à organização da votação e a dificuldade da comissão eleitoral de recrutar funcionários. A votação deve definir os 275 membros da Assembléia Nacional que redigirão a Constituição do país.

Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, admitiu que provavelmente as eleições registrarão problemas, mas insistiu que a disputa ocorrerá na data prevista. "Queremos nos assegurar que teremos as melhores eleições possíveis no Iraque. Acho que todos nos damos conta de que as eleições não serão perfeitas", afirmou.

O partido sunita Frente Nacional para a Unidade do Iraque anunciou ontem que se retirará da disputa, caso a votação não seja adiada.

Cinco soldados da Guarda Nacional do Iraque morreram ontem em Mossul, no norte do país, em dois ataques separados. Pela manhã, o primeiro atentado matou três soldados e feriu cinco. Eles transportavam material escolar, escoltados por militares americanos. Uma bomba explodiu na margem da estrada por onde viajava o comboio. A explosão foi seguida por um pesado tiroteio com os rebeldes.

Horas depois, outros dois soldados iraquianos morreram na explosão de uma bomba perto de um quartel. Ferido, um terceiro militar iraquiano foi levado a um hospital em estado crítico.

Principal cidade do norte do Iraque e a 400 quilômetros de Bagdá, Mossul sucede a Faluja no principal reduto dos partidários do antigo regime de Saddam Hussein e, nos últimos dias, converteu-se no principal palco dos confrontos entre os insurgentes e as tropas dos EUA. Segundo um comunicado, 79 suspeitos de fazer parte da insurreição foram detidos na cidade na última semana.

Por meio de uma fita de vídeo obtida ontem pela agência Reuters, rebeldes iraquianos ofereceram "proteção" a desertores do Exército americano no Iraque. Em inglês fluente - aparentemente falado por alguém educado nos EUA ou na Grã-Bretanha -, o narrador principal zomba do presidente americano, George W. Bush, e pede a ele que lance mais desafios aos rebeldes, enquanto são exibidas imagens de tanques dos EUA explodindo.