Título: PT quer sensibilidade política do BC
Autor: Márcia de Chiara, Patrícia Campos Mello
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/01/2005, Economia, p. B3

O presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoino, avaliou ontem que a manutenção dos juros altos pelo Banco Central "dificulta o debate e cria um ambiente desfavorável para a discussão" entre os petistas sobre a autonomia do BC. Com a missão de fazer a ponte entre as intenções da equipe econômica e o PT, Genoino apela para a sensibilidade política dos dirigentes da instituição. "O BC tem de perceber esta questão e reconhecer que o aumento (dos juros) cria dificuldades", disse, esquecendo-se que o objetivo do projeto de autonomia do BC é justamente blindá-lo contra pressões políticas.

A seu ver, a diretoria deveria avaliar que a conquista da autonomia é uma medida de longo prazo. Ele sugere que isso seja levado em consideração nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), no momento da articulação do projeto.

Escaldado pela crise provocada no início do governo com a discussão sobre o projeto de autonomia, o PT vai retomar o assunto este ano tentando evitar polêmica interna. Genoino assumiu o comando de uma articulação para trazer o assunto à agenda partidária, mas já avisa que a autonomia poderá ser aprovada em troca de um controle social mais rigoroso pelo Congresso.

Genoino diz que o PT tem este ano, ainda sem data marcada, uma reunião do Diretório Nacional, órgão de maior poder de decisão do partido, quando receberá o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do BC, Henrique Meirelles. "Este tema com certeza fará parte da conversa e o assunto vai ser tratado com todo cuidado."

O PT deve discutir quais são os meios para um modelo de desenvolvimento", disse Genoino, ao argumentar que é neste contexto que deve se discutir a autonomia. Segundo ele: o maior desafio brasileiro para a década é a arrancada para o desenvolvimento.