Título: Comércio com a Liga Árabe cresceu 50% no ano passado
Autor: Adriana Chiarini
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/01/2005, Economia, p. B6

Depois da visita do presidente Lula, em dezembro de 2003, à Síria, Líbia, Líbano, Egito e Emirados Árabes, o comércio brasileiro com os 22 países que fazem parte da Liga Árabe cresceu 50% em 2004, alcançando US$ 8,1 bilhões. Este ano, outro evento político, o encontro de cúpula das autoridades dos países sul-americanos e árabes, pode dar novo impulso ao comércio com aquele grupo de países, além de visitas como as que o chanceler Celso Amorim fará ao Kuwait e à Arábia Saudita no mês que vem. "Acho que o grande fator para o crescimento do comércio este ano será essa cúpula", disse ao Estado o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), Antonio Sarkis Júnior. O evento, uma iniciativa de Lula, será realizado em Brasília nos dias 10 e 11 de maio. A intensificação do comércio também é esperada pelo Itamaraty.

"Esperamos um aumento do comércio, sim, principalmente porque haverá um encontro empresarial paralelo à cúpula, composto de um seminário e uma feira de investimentos e promoção comercial, onde cada um dos 34 países participantes terá um espaço", confirmou o ministro Ernesto Otto Rubarth, da Subsecretaria-Geral Política do Itamaraty, que está organizando o evento.

As estimativas da CCAB para o crescimento das exportações este ano para os países da Liga Árabe são de 12% ou 13%, de acordo com Sarkis.

É uma previsão modesta quando comparada ao aumento de 46% ocorrido no ano passado, 14 pontos porcentuais acima dos 32% de aumento total das vendas brasileiras ao exterior no período.

SEM BARREIRAS

Sarkis admite a possibilidade de crescimento acima do previsto no ano que vem, já que todas as expectativas para 2004 foram superadas e houve grande aumento também no número de empresas exportadoras (184 das 1.005 empresas que exportaram para os árabes no ano passado entraram nesse mercado em 2004) e de produtos vendidos, com cerca de 236 novos itens entre os cerca de 2 mil vendidos. No ano passado, as vendas aos árabes somaram US$ 4,03 bilhões.

De acordo com a CCAB, o Brasil tem capacidade para exportar US$ 7 bilhões para aquela região do mundo. Sarkis acredita que esse valor vai ser atingido em 2 ou 3 anos. "Os países árabes não têm barreiras à agricultura. É um bom mercado para o agronegócio brasileiro", diz.