Título: Mercado de US$ 600 milhões em jogo
Autor: Márcia De Chiara
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/01/2005, Economia, p. B20

Está começando mais um capítulo da disputa pelo promissor mercado brasileiro de fraldas descartáveis. No ano passado, as vendas somaram perto de US$ 600 milhões. Com o tão esperado crescimento real da massa salarial que, de acordo com estimativas de economistas, poderá chegar a 3,5% este ano, os grandes fabricantes se preparam para fisgar consumidores especialmente entre os estratos de renda mais baixa, que estão recuperando o poder de compra com a volta do emprego. A americana Kimberly Clark, que em 2004 tinha 20,6% das vendas em volume, planeja investir US$ 40 milhões entre 2005 e 2008 em tecnologia, divulgação e novos produtos. "Nosso objetivo é consolidar a liderança do setor em volume conquistada em 2003", diz o diretor de Marketing, Eduardo Aron. Só no ano passado, a empresa aplicou US$ 8,2 milhões em tecnologia, divulgação e desenvolvimento de quatro novos produtos. Eles estão chegando ao mercado neste início de ano.

O primeiro item é uma fralda descartável para o recém-nascido brasileiro, que tem tamanho menor do que os bebês dos EUA, por exemplo. O segundo produto é uma fralda que leva a marca Turma da Mônica, porém é básica e custa cerca de 20% menos do que a tradicional da mesma marca. A intenção é vender o produto no pequeno varejo no Sul e Nordeste, para as classes de menor renda.

Nessa mesma linha, a companhia está lançando pacotes com uma ou duas unidades, que possibilitam um desembolso menor pelo produto. Enquanto o pacote normal custa R$ 5,50, a embalagem menor sai por R$ 1,20. "Vamos começar a vender esse item pelo Nordeste", ressalta Aron. Em contrapartida, a empresa também quer marcar presença no mercado de renda mais alta, com fraldas específicas para natação. Elas serão importadas dos EUA e vendidas aqui em lojas especializadas.

Com essa investida, a meta é conquistar 25% do mercado de fraldas, em volume, em um ano, diz o diretor. Sem revelar números, ele ressalta que as fraldas respondem por cerca de 30% do faturamento da empresa no País e está se equiparando ao negócio de papéis (higiênico e toalha) da companhia.

"2005 será um dos anos mais agitados no segmento de fraldas", prevê a diretora da Pampers, da Procter&Gamble, Juliana Azevedo Schahim. Em 1995, logo após o início do Plano Real, que derrubou a hiperinflação de 40% ao mês, o consumo de fraldas descartáveis aumentou 10 vezes, lembra.

Juliana mantém sigilo sobre o valor dos investimentos para 2005, mas garante que haverá inovações nas três linhas da marca: básica, noturna e instant sec. No ano passado, diz, a empresa lançou uma versão básica do produto, cerca de R$ 1 mais barata do que o pacote da tradicional. Com isso, a marca manteve-se no último bimestre de 2004 na liderança em valor, com 23,4%, e na vice-liderança em volume, com 17,5%, diz a executiva.

A Johnson & Johnson, que, segundo a companhia, inaugurou a categoria de fraldas descartáveis no País, informa que a linha de fraldas Johnson's baby "terá modificações importantes", segundo a diretora de Marketing, Maria Eduarda Kertesz. No ano passado, a empresa melhorou o formato de toda a linha de fraldas e lançou uma embalagem econômica noturna, lembra a diretora. A empresa não revela a sua fatia de vendas, mas números de mercado indicam que a participação teria alcançado 4,5% em volume no ano passado. A Pompom, que teria ficado em 2004 com 2,8% das vendas em volume, foi procurada pelo Estado, mas ontem não tinha porta-voz para falar sobre os planos para este ano.

De toda forma, os números da ACNielsen mostram que os fabricantes que pretendem investir nesse segmento estão no caminho certo. De uma cesta de produtos de higiene e limpeza composta por 10 itens dessa categoria, as fraldas descartáveis registraram a maior taxa de crescimento em volume no ano passado. O acréscimo foi de 12,2% em relação ao ano anterior.