Título: Lula deixa claro que não muda política econômica
Autor: Leonencio Nossa
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/01/2005, Nacional, p. A6

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que concorda "totalmente" com a desoneração tributária dos investimentos, mas deixou claro que não pretende fazer mudanças na política econômica do governo. A declaração de Lula foi divulgada pela revista Indústria Brasileira, publicada pela mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Lula ressalta que pretende manter o diálogo com o setor industrial e assegura que dará o "primeiro passo" na mudança das relações trabalhistas com a reforma sindical. "Temos buscado estabelecer condições mais favoráveis aos investimentos no Brasil, com vistas à modernização e à ampliação da infra-estrutura, sem perder de vista a preservação das condições macroeconômicas, com responsabilidade fiscal e controle da inflação", salientou.

Ele voltou a dizer que está otimista em relação ao crescimento sustentável da economia. "Trata-se de um otimismo baseado em fato, não em boa vontade apenas", disse. O presidente citou ações e projetos para resolver os gargalos da infra-estrutura e para garantir mais investimentos no setor produtivo, como a aprovação do projeto de lei das Parcerias Público-Privadas (PPPs), para possibilitar cooperações e entre governos e empresas. "Só assim será possível a canalização prioritária dos recursos públicos para a área social", afirmou.

A uma indagação da revista sobre as dificuldades enfrentadas pela indústria nos últimos anos, Lula concordou que o setor foi "muito afetado" no período em que o Produto Interno Bruto (PIB) teve uma performance irregular. Ele disse que taxas modestas de crescimento intercalaram com momentos de crescimento "quase nulo".

"Felizmente essa tendência foi revertida neste ano, quando alcançamos, após um ajuste duro e necessário, condições macroeconômicas sólidas e favoráveis à continuidade do novo ritmo de crescimento." O presidente avalia que os investimentos privados são bem-vindos e essenciais para o desenvolvimento econômico e social.

Ele observou que a poupança pública é insuficiente para prover a totalidade de recursos necessários à ampliação e melhoria da infra-estrutura do País.

Lula garantiu mais agilidade nos processos de impacto ambiental para a liberação de obras. "O desafio agora é disponibilizar maiores investimentos em capacidade instalada para manter o ritmo de crescimento das exportações", disse.

Lula destacou "avanços" na desoneração tributária do investimento, citando a redução do Imposto de Importação, que teria atingido o preço de pelo menos 1.500 produtos nas áreas de bens de capital, informática e telecomunicações. Também ressaltou medidas como a depreciação acelerada dos bens de capital adquiridos a partir de outubro do ano passado. Essa depreciação será deduzida da Contribuição Social o Lucro Líquido (CSLL).