Título: Um novo tratamento para leptospirose
Autor: Roberta Pennafort
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/01/2005, Vida &, p. A13
Uma solução simples para casos graves de leptospirose, doença que atinge 3 mil brasileiros todo ano, foi descoberta por estudiosos da Universidade do Estado do Rio (Uerj), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Trata-se da aplicação de albumina, proteína encontrada no sangue que consegue reverter quadros agudos e salvar os doentes. A doença é transmitida por meio do contato com água contaminada por urina e fezes de rato e demora cerca de dez dias para se manifestar. Para prevenir a leptospirose, a saída é evitar a água parada, principalmente nas enchentes desta época do ano.
A fase de testes em pacientes ainda está começando, mas três pessoas que corriam risco de vida já foram curadas graças à albumina. Segundo explicou um dos coordenadores da pesquisa, Mauro Velho de Castro, professor de Biologia Celular da Uerj, ela é capaz de evitar que os infectados desenvolvam hepatite, insuficiência renal, respiratória e cardíaca, que acabam matando o doente.
Isso porque a bactéria leptospira, que provoca a leptospirose, libera uma endotoxina que inibe o transporte dos íons sódio e potássio por meio da membrana celular. O resultado é que a concentração de ácidos graxos no corpo fica muito grande. Por sua vez, a de albumina, responsável pelo transporte dos íons, fica baixa. Daí a necessidade da reposição - indicada quando há comprometimento generalizado do organismo, o que ocorre em 30% dos casos. Destes, 70% acabam em morte.
Castro informou que o tratamento, inovador, poderá ser utilizado em larga escala em breve. "Aplicações de albumina vêm sendo feitas por médicos em outros casos em que há perda da proteína. Para tratar leptospirose, se mostrou muito eficiente." O estudo foi publicado no número deste mês da publicação especializada em doenças infecciosas The Journal of Infectious Diseases, da Universidade de Chicago.
De acordo com o Ministério da Saúde, foi registrada entre 1994 e 2003 uma média anual de 3.324 infectados e de 334 óbitos. O risco cresce em época de enchentes, porque a urina presente em bueiros se mistura à água das chuvas.