Título: Venezuela e Colômbia anunciam fim de impasse diplomático
Autor: Denise Chrispim Marin
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/02/2005, Internacional, p. A18

Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Álvaro Uribe, contornaram oficialmente ontem, no Palácio Miraflores, a crise diplomática e comercial deflagrada pela pela prisão de um dirigente das Forcas Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território venezuelano durante uma operação coordenada por Bogotá, em meados de dezembro. Mas o acordo entre os presidentes está longe de dissolver a tensão entre os dois países andinos em torno da questão central - a dificuldade de ambos os governos de coordenar ações de combate aos grupos terroristas que atuam na região.

Uribe foi recebido por Chávez no Aeroporto Internacional de Maiquitia com um abraço e com honras de Estado. Ao final da cerimônia, embarcaram no mesmo automóvel em direção ao Palácio de Miraflores, onde estiveram reunidos por seis horas. Ao final, em entrevista, se desdobraram em elogios mútuos e insistiram várias vezes em se chamarem, a si mesmos e a seus povos, de "irmãos siameses".

"Nada nem ninguém, por mais tormentoso que pareça o tema, pode atingir a vontade conjunta inquebrável de lutar pelo bem inestimável da união.Queremos paz aqui. Decidimos virar a página e clarear as coisas que poderiam anuviar nossas relações para seguirmos um destino comum", afirmou Chávez.

"O desafio de combater o terrorismo na Colômbia traz também desafios a nossos vizinhos. Temos de superá-los. É preciso que haja uma comunicação mais ágil entre nossos ministérios da Defesa e do Interior e as organizações de segurança, no princípio da cooperação e do respeito à soberania", disse Uribe.

A crise entre os dois países surgiu com a prisão de Rodrigo Granda - no dia 13 de dezembro, em Caracas, segundo Chávez, e no dia seguinte na cidade colombiana de Cúcuta, na versão de Uribe.

Chávez fechou as fronteiras entre os dois países ao comércio e à circulação da população fronteiriça e exigiu desculpas formais de Uribe.

O temor de que o conflito atingisse proporções mais sérias, levou os governos do Brasil, Cuba e Peru a tentar convencer ambos os lados a voltar atrás. Argumentaram que a crise somente comprometeria a integração sul-americana e prejudicaria as relações entre as duas principais economias da região andina.

Em 28 de janeiro, os dois países declararam que o incidente estava superado e marcaram um encontro, em Caracas, no dia 3, para selar a paz. Acometido de labirintite, somente ontem Uribe pôde desembarcar na Venezuela. Mas deixou Caracas com um compromisso enfático de Chávez de combate ao terrorismo.

AJUDA

No dia 7, em Cartagena de Índias, ainda convalescente, Uribe condecorou o subsecretário de Estado americano para Assuntos Políticos, Marc Grossman, pelo apoio dos EUA na luta contra o terrorismo e o narcotráfico na Colômbia. Aproveitou e agradeceu a iniciativa do presidente George W. Bush de enviar ao Congresso um pacote de ajuda de US$ 741 milhões para a Colômbia em 2006. Na prática, o envio significa a prorrogação do Plano Colômbia, que terminaria este ano. Nos últimos quatro anos, governo americano desembolsou US$ 3 bilhões com esse plano.