Título: Juro deve ficar em 15% em 2006
Autor: Fabio Graner
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/12/2005, Economia & Negócios, p. B3
BRASÍLIA - Na semana em que o Banco Central (BC) divulgou a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado financeiro cortou as projeções de juros para o ano que vem. De acordo com o relatório Focus, divulgado ontem pelo BC, a expectativa média das instituições para o juro no fim de 2006 passou de 15,25% na semana de 12 a 16 de dezembro para 15% na semana passada. Hoje a taxa de juros básica está em 18%. Para o diretor da consultoria econômica GRC Visão, Alexandre Fischer, a queda nas projeções já pode ser uma resposta das instituições à ata. Fischer avalia que, ao reduzir a Selic com menos força em dezembro, o BC considera que o processo de cortes pode ser mais longo. De acordo com o economista, ajuste mais longo pode significar cortes mais fortes nas próximas reuniões. ¿Vale lembrar que a política monetária leva seis meses para fazer efeito. Por isso, o BC pode fazer reduções maiores no começo do ano para ter efeito antes das eleições¿, afirma Fischer.
Mas o Focus mostra que o mercado como um todo ainda não está pensando assim. A projeção média da taxa básica para janeiro ficou em 17,50% ¿ o que significa um corte de meio ponto porcentual ¿, inalterada em relação à semana anterior.
O economista-chefe do Banco BVA, Julio Cardozo, discorda. Para ele, a queda na projeção da Selic aparenta ser mais um ajuste de projeção das instituições na virada do ano do que uma resposta à ata e percepção de queda maior nos juros.
Ao mesmo tempo que estima queda nos juros, o mercado projeta pequena desvalorização do real em 2006. Para o fim deste ano, o mercado espera o dólar cotado a R$ 2,40, ante R$ 2,42 na semana passada. A projeção para o câmbio médio de 2006 ficou estável em R$ 2,34.
O Focus mostra ainda que foram mantidas em 5,68% e 4,50% as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo para 2005 e 2006, respectivamente. O mesmo ocorre com as previsões para o crescimento do PIB, mantidas em 2,48% para este ano e 3,50% para o próximo. As instituições esperam menor ritmo de crescimento da indústria. A previsão de expansão para este ano caiu de 3,15% para 3,13% e para 2006 de 4,50% para 4,30%.