Título: Petrobrás confirma que campo gigante é viável
Autor: Kelly Lima e Jacqueline Farid
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/12/2005, Economia & Negócios, p. B6

RIO - A Petrobrás anunciou ontem a viabilidade comercial de um novo campo gigante de petróleo ao Sul da Bacia de Campos. Segundo comunicado de comercialidade da área, enviado à Agência Nacional do Petróleo (ANP), o campo BC-20, ou Papa-Terra, descoberto em 2003, tem reservas potenciais entre 700 milhões e 1 bilhão de barris de óleo, quase 10% das reservas nacionais somadas. A área é operada pela Petrobrás, com 62,5% da concessão adquirida em 1998, em parceria com a Chevron (37,5%). A expectativa da estatal é que o novo campo possa começar a produzir no final de 2011. O campo tem óleo considerado bastante pesado, com grau API (avaliação internacional que mede a leveza do óleo) variando entre 14 e 17 (quanto mais próximo de 50, mais leve). A desvantagem deste óleo é que ele tem custo mais elevado de extração e refino, além de ser desvalorizado no mercado internacional.

Para o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, entretanto, a declaração de comercialidade do campo está em linha com os projetos da Petrobrás para o melhor aproveitamento do óleo pesado encontrado na costa brasileira, especialmente ao Sul da Bacia de Campos.

A estatal vem fazendo investimentos de US$ 2 bilhões para adaptar suas refinarias para o processamento deste óleo pesado, em detrimento do óleo leve importado, para o qual eram destinadas.

Para o diretor da consultoria em exploração de petróleo Expetro, Jean Paul Prates, o óleo a ser extraído do bloco Papa-Terra terá os custos da exploração e refino compensados pelo fato de o campo ser em lâmina d'água com pouca profundidade, apenas 1,2 mil metros. Segundo ele, já havia indícios de possível descoberta de comercialidade no local, tanto que já foi declarada também a comercialidade do campo vizinho, BMC-7, que a canadense EnCana vendeu recentemente para a norueguesa Norsk Hydro.

O custo mais elevado da produção do óleo pesado também está nos planos da Petrobrás para ser compensado com a produção de derivados de petróleo de maior valor agregado.

Dentro destes projetos está a unidade petroquímica que a estatal pretende construir no Estado do Rio de Janeiro, que vai processar óleo do campo de Marlim Sul, também localizado ao Sul da Bacia de Campos.