Título: ´Vamos examinar com lupa´, diz Serra
Autor: Silvia Amorim
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/12/2005, Metrópole, p. C6

Prefeito diz que emendas incluídas pelos vereadores serão avaliadas

O prefeito José Serra disse ontem estar, ao mesmo tempo, satisfeito e cauteloso diante do orçamento de 2006 aprovado pela Câmara. Em linhas gerais, o substitutivo dos vereadores, que estima receita recorde de R$ 17,2 bilhões, atendeu às expectativas do governo. Mas Serra disse que o conjunto de emendas incluídas no texto precisa ser analisado com critério: 'A gente vai ter que se debruçar e examinar com lupa cada uma.' As emendas foram negociadas entre o governo e vereadores - que apresentaram mais de 200, prevendo R$ 210 milhões em investimentos. Mesmo assim, Serra garantiu ontem à tarde que ainda não conhecia detalhes do texto. 'Não vi a peça final. Houve reestimativa da receita para R$ 500 milhões a mais. Não sabemos se vai acontecer', afirmou, referindo-se à arrecadação extra estimada pelos vereadores com projetos tributários recém-aprovados. Do pacote, só falta a votação definitiva da proposta que dá gratificação aos auditores fiscais por produtividade. Serra comemorou a manutenção do porcentual de remanejamento de verbas em 15%. O dispositivo permitirá ao Executivo transferir até R$ 2,58 bilhões de uma área para outra, sem autorização da Câmara. Por conta disso, o prefeito mostrou-se tranqüilo diante de mudanças feitas pela Câmara, como a redução de quase 40% imposta à dotação de Transportes em relação ao texto do Executivo. 'Com a possibilidade do remanejamento, vamos poder ajustar e estabelecer correspondência melhor, sem desrespeito ao que foi aprovado.' O prefeito disse não temer Possibilidade de remanejar verbas deixa prefeito tranqüilo eventuais cortes ou maior lentidão nos repasses de verbas federais e estaduais, em razão de 2006 ser ano de eleições. Dos R$ 2,4 bilhões aprovados para investimentos no orçamento municipal, cerca de 40% são de recursos provenientes da União e do Estado. 'Governo é uma coisa, eleição é outra. Sempre separei isso e esperamos que todos façam assim. Não podemos levar disputa política para a administração, porque prejudica a população.'