Título: Governo ameaça intervir no álcool
Autor: Leonardo Goy
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/01/2006, Economia & Negócios, p. B3
O governo admite a possibilidade de intervir no preço do álcool para conter a alta exagerada dos preços, informou ontem o diretor de Álcool e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Angelo Bressan. "Queremos achar uma saída para minimizar os prejuízos dos consumidores, sem pôr em risco o abastecimento." Essa solução seria temporária já que, em abril, com a entrada da nova safra de cana-de-açúcar, os preços do álcool na usina deverão cair perto de 30%. As medidas ainda estão em estudos, informou o diretor. "Estamos tentando ver se é viável termos alguma medida para isso. É uma decisão que o governo vai ter de tomar. Na semana que vem, deveremos ter alguma notícia." Entre as alternativas em avaliação está negociar com os produtores a fixação de um limite de preço para o produto. Segundo Bressan, a questão está sendo discutida no governo entre os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Minas e Energia e Fazenda.
Outra possibilidade é o governo reduzir de 25% para 20% o porcentual de mistura do álcool anidro na gasolina, para aumentar a oferta de álcool. Ele, entretanto, disse que o ministério não gosta de mexer nessa mistura. Como o álcool é mais barato que a gasolina, a redução da proporção pode causar o aumento do combustível.
Bressan afirmou, porém, que não acha que o preço que está sendo cobrado atualmente pelo álcool nas usinas esteja exagerado. Segundo ele, é normal que o preço suba na entressafra.
O diretor disse que atualmente as usinas estão vendendo o álcool anidro a R$ 1,10 por litro e o álcool hidratado a R$ 1. "Se considerar que o custo de produção fica entre R$ 0,75 e R$ 0,80 por litro, não há exagero." Mas ele ressaltou que o preço que o consumidor paga na bomba embute outros custos, como a margem de lucro dos revendedores e os impostos que variam de Estado para Estado.
Segundo Bressan, o preço do álcool nas usinas deverá "necessariamente" cair cerca de 30% a partir de abril, quando será iniciada a próxima safra. "Com todas as usinas entrando em operação, a oferta aumenta e o preço deve cair. Essa é a lógica do mercado."
A partir do início da próxima safra, diz Bressan, a ação do governo deverá ser no sentido contrário. Com a retomada da produção, a preocupação passará a ser o risco de uma queda muito grande no preço. "Se não fizermos nada, o preço do litro nas usinas deve cair para algo entre R$ 0,60 e R$ 0,70, o que não é o ideal, uma vez que o custo de produção está entre R$ 0,75 e R$ 0,80."