Título: Tesouro quer reduzir dívida atrelada à Selic
Autor: Renée Pereira
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/01/2006, Economia & Negócios, p. B4
O Tesouro Nacional quer reduzir de 53% para 45% a parcela da dívida pública composta por títulos corrigidos pela variação da taxa de juros Selic. A informação foi dada ontem pelo secretário-adjunto do Tesouro Nacional José Antônio Gragnani. Considerados um calcanhar-de-aquiles para as contas públicas, esses papéis tornam o custo da dívida menos previsível e mais vulnerável a choques de aumento da taxa de juros, como o promovido entre setembro de 2004 e o ano passado pelo Banco Central (BC). Esse movimento será favorecido pelo processo de redução da taxa Selic. Com a queda dos juros, esses papéis se tornam menos atraentes e aumentam a possibilidade de o Tesouro vender títulos com outras formas de remuneração. O preferido pelos administradores da dívida são os papéis prefixados (com taxa de correção definida na compra) e os corrigidos por índices de preços, como o IPCA e o IGP-M.
A expectativa do Tesouro é elevar para cerca de 35% o volume de papéis prefixados este ano. Em 2005, segundo dados preliminares, essa participação fechou em 28%, ante 53% dos títulos pós-fixados corrigidos pelos juros, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT). No início do ano passado, os prefixados correspondiam a 20% da dívida interna em títulos públicos e as LFT a 57%.
Segundo Gragnani, as LFTs tendem a perder atratividade e devem render menos que os papéis prefixados e os corrigidos por índices de preços. "Nesse cenário de queda dos juros, quem continuar tendo grandes quantidades de LFTs corre o risco de diminuir a rentabilidade dos seus investimentos ", afirma o secretário.