Título: Inflação é a menor em sete anos
Autor: Márcia De Chiara
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/01/2006, Economia & Negócios, p. B5
Os paulistanos tiveram em 2005 a menor inflação em sete anos. O Índice do Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (ICV-Dieese) fechou o ano com alta de 4,54%, resultado praticamente idêntico ao registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (4,53%) para o mesmo período. Esse é o terceiro índice que aponta o recorde de baixa da inflação no ano passado. O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu apenas 1,22% em 2005, a menor marca da história do indicador.
"A boa notícia é que o resultado do ICV ficou abaixo do esperado, que era entre 5% e 5,5%", observa a coordenadora ICV-Dieese, Cornélia Nogueira Porto. Para 2006, ela prevê uma inflação ainda menor, entre 3% e 3,5%. "As tarifas reajustadas pelo IGP não têm por que ter grandes aumentos e a renda continua reprimida, o que dificulta os reajustes de preços."
Na opinião da economista, a inflação não preocupa. O desafio agora é melhorar outros indicadores econômicos, como emprego e o crescimento.
Apesar da tendência de desaceleração, a perspectiva é que a inflação deste mês seja bem maior que a registrada em dezembro. No mês passado, o ICV subiu 0,19% e a economista projeta um aumento de 0,60% para este mês, por causa dos aumentos dos planos de saúde e das mensalidades escolares.
De toda forma, o resultado deve ficar abaixo do registrado em janeiro de 2005, que foi de 0,91%.
De acordo com a pesquisa do Dieese, a inflação foi mais baixa no ano passado para as famílias de menor renda, que ganham em média R$ 377,49 e tiveram um aumento de 3,80% no custo de vida. Já as famílias do estrato mais alto, que recebem, em média, R$ 2.790,90 por mês, tiveram uma inflação maior, de 4,94%.
Cornélia diz que a inflação das camadas mais pobres foi menor por causa dos alimentos e do reajuste das tarifas, apesar da maior pressão dos aumentos dos transportes coletivos. No ano passado, o ônibus urbano e bilhete de metrô múltiplo de 10 na cidade de São Paulo aumentaram 17,65%.
Já o custo de vida das famílias de classe média foi afetado pelo maior desembolso com combustíveis, educação e saúde. A gasolina, por exemplo, aumentou 8,23% no ano passado e o álcool combustível, 8,22%.
Além da classificação por estrato de renda, a pesquisa mostra que os preços dos serviços e dos produtos administrados tiveram maior variação em 2005, subiram 6,43%, bem acima dos oligopólios (4,83%) e dos livres (3,75%).
IPCS
A disparada nos preços dos alimentos (de 0,75% para 1,42%) levou à alta na inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S). O indicador subiu 0,69% na primeira quadrissemana de janeiro, ante 0,46% na semana anterior. O resultado surpreendeu o mercado financeiro, que esperava entre 0,35% e 0,57%. Porém, para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o aumento já era esperado, pois janeiro é tempo de preços altos no varejo.
Segundo o economista da FGV, André Braz, no IPC-S anunciado ontem houve uma combinação de elevações de preços em alimentos in natura e alimentos processados. Mas, na avaliação de Braz, a alta não é preocupante. Ele admitiu porém que o IPC-S deve continuar acelerando em janeiro, por causa dos pagamentos de parcelas de IPTU e IPVA, além dos reajustes em mensalidades escolares.