Título: Na Europa, currículos unificados em 45 países
Autor: Renata Cafardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/01/2006, VIda&, p. A14
GENEBRA - A Europa quer harmonizar o sistema universitário de 45 países até 2010, criando o que já está sendo chamado de o maior campus universitário do mundo. Haverá amplas possibilidades para que estudantes e professores mudem de país com quase a mesma facilidade que trocam de salas de aula em uma faculdade. O objetivo foi traçado em 1998 e estabelece um acordo para tornar semelhantes os programas, os sistemas de créditos e os diplomas de todo o continente europeu, até o fim da década. Os primeiros países a tomar essa decisão foram França, Itália, Reino Unido e Alemanha, que começaram a implementar o reconhecimento dos diplomas. Em 1999, a iniciativa foi acolhida pelos demais países no que ficou conhecido como Acordo de Bolonha. Hoje, a iniciativa já inclui até países que não fazem parte da União Européia, como Suíça, Rússia e Albânia.
O processo se tornou prioridade na Europa nos últimos anos, por causa da concorrência cada vez maior de universidades americanas e asiáticas. Os europeus querem que cada país possa se beneficiar ao máximo do que seus vizinhos produzem.
A União Européia admitiu recentemente que estava ficando para trás quando se fala em qualidade de ensino. A própria Comissão Européia alerta que, das 50 melhores universidades do mundo, apenas cinco estão hoje na Europa. E apenas 21% da força de trabalho no continente tem diploma universitário. Nos Estados Unidos, a taxa é de 38%, no Canadá, 43%, e no Japão, 36%.
Enquanto o novo processo não é finalizado, milhares de europeus já se beneficiam todos os anos dos acordos entre os países e é raro um universitário que não tenha passado alguns meses em outro país da região. Para analistas, isso está criando uma nova geração de europeus, acostumados a viajar e fluentes em mais de um idioma.
QUALIDADE
Quase todos os obstáculos para que estudantes e professores circulem pela Europa já foram retirados e as universidades agora precisam cumprir exigências mínimas de qualidade para poder entrar no processo. A harmonização do sistema não se limita ao reconhecimento de diplomas, mas também de créditos cursados em uma universidade em outro país.
Uma das preocupações passou a ser a qualidade do ensino. Estuda-se a adoção de uma marca para os cursos. Os primeiros devem ser Engenharia e Química e a universidade que cumprir as exigências ganhará uma espécie de selo de qualidade, reconhecido nos 45 países.