Título: Presidente vai à TV falar de FMI
Autor: Lisandra ParaguassúIsabel Sobral
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/01/2006, Nacional, p. A6

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falará hoje por nove minutos, em rede nacional de rádio e TV, sobre o impacto da recente quitação da dívida do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O País antecipou em dois anos o pagamento do débito, de US$ 15,4 bilhões, e Lula quer explicar as conseqüências positivas dessa decisão. Em ano eleitoral, o Palácio do Planalto passou a investir na divulgação de ações que considera positivas, mas pouco exploradas. O anúncio da quitação da dívida com o FMI foi feito no início de dezembro e o pagamento, nos dias 22 e 23.

Na avaliação do governo Lula, foi dada ¿pouca importância¿ ao fato e aos resultados que podem advir da economia que o País fará ao evitar os juros nos próximos dois anos.

O presidente dirá, no pronunciamento de hoje , que o pagamento marca uma mudança na relação do Brasil com a comunidade internacional e que o País finalmente poderá se auto-administrar.

Em discursos anteriores sobre o tema, o presidente Lula afirmou que, ao pagar a dívida, o Brasil ¿atingiu a maioridade¿, ¿encontrou seu rumo¿ e ¿é dono do próprio nariz¿, depois de ter apelado para o FMI em um momento de crise econômica séria, durante o governo anterior.

Lula usará o pagamento da dívida como um gancho para fazer um rápido balanço dos programas sociais que já implantou e das ações na área econômica que permitiram o aumento das exportações e a criação de empregos. A idéia é mostrar que o Brasil cresceu, estabilizou a economia e, por isso, pode antecipar o pagamento.

VISITA

O pronunciamento de Lula virá na semana seguinte à visita do diretor-gerente do FMI ao Brasil, Rodrigo de Rato, que também marcou a comemoração da quitação antecipada do débito. Na ocasião, Rato elogiou o cenário econômico brasileiro e lembrou que, há cerca de três anos, o País passava por uma crise de confiança ¿ muitos achavam que haveria declaração de nova moratória.

Hoje, Lula deverá falar do que espera em relação ao desenvolvimento econômico e social no País no quarto ano de governo. A mensagem abrirá a semana marcada pela primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Espera-se que o encontro defina um novo corte nas taxas de juros.