Título: Indústria de autos tem bom ritmo
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Fonte: O Estado de São Paulo, 15/01/2006, Economia & Negócios, p. B2
As vendas de veículos superaram as expectativas das montadoras tanto em dezembro - recorde histórico para o mês - como em 2005. No mês passado, 183,6 mil veículos foram licenciados, 15 mil além do projetado, superando novembro em 15,9% e dezembro de 2004 em 3,2%. A produção total de 2005, inclusive para exportação, atingiu 2,44 milhões de unidades e as vendas no mercado interno evoluíram de 1,589 milhão, em 2004, para 1,714 milhão de unidades (8,6%), em 2005, enquanto o valor das exportações avançou de US$ 8,3 bilhões para US$ 11,1 bilhões.
A recuperação do setor ocorreu, em especial, no segundo semestre, em contraste com a desaceleração econômica. A média mensal foi de 110 mil unidades no primeiro bimestre, cerca de 150 mil entre junho e agosto, até passar de 180 mil, em dezembro.
O fortalecimento se deveu ao interesse dos consumidores por veículos bicombustíveis, responsáveis por 73% das vendas em dezembro. Generalizou-se a versão 1.0, respondendo por mais da metade das vendas. Mas há mais explicações.
Com a queda do juro entre o primeiro e o segundo semestres de 2005, o valor das prestações ficou mais próximo da capacidade de pagamento dos clientes, pois as financeiras ligadas às montadoras cobram juros da ordem de 26% ao ano, inferiores à média de mercado. Além disso, o valor de revenda dos veículos usados favorece a troca de seminovos por autos zero-quilômetro.
Prevê-se, para 2006, a continuidade do crescimento, embora se projete apenas para 2007 o retorno da produção à casa dos 2 milhões de veículos para o mercado interno - ou seja, ao recorde atingido em 1997.
As estimativas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) são de um crescimento de 7% neste ano, elevando a 1,84 milhão o número de veículos comercializados no mercado interno. Apesar do absoluto predomínio dos veículos leves, espera-se também uma recuperação das vendas de caminhões no mercado interno, após a queda de 3,3% entre 2004 e 2005, por causa da desaceleração da produção agropecuária.
Com o recuo esperado da Selic, o juro do financiamento de autos tenderá aos 20% ao ano, sabendo-se que 70% das vendas de veículos são financiadas. Além isso, um alento virá da diminuição da TJLP, em 2006.
Mas, para elevar as vendas, além de juro menor as as montadoras devem buscar maiores ganhos de produtividade em vez de reajustar os preços.