Título: CPI faz primeira prisão em flagrante, por desacato
Autor: Eugênia Lopes
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/01/2006, Nacional, p. A5

Depois de sete meses de funcionamento, a CPI dos Correios fez ontem a primeira prisão em flagrante. O advogado Marcus Valerius Pinto Pinheiro de Macedo foi preso por desacato, com base no Código Penal. Careca igual a seu homônimo, Marcos Valério de Souza, o amazonense Marcus Valerius foi irônico ao responder às perguntas de integrantes da CPI e acabou levado pela Polícia Federal. A gota d¿água foi o comentário que o advogado fez ao ouvir proposta do deputado Geraldo Thadeu (PPS-MG) de quebra de seu sigilo, do de sua mulher e do de sua irmã. ¿Pede da mãe então¿, disse, em tom irônico.

O deputado petista José Eduardo Martins Cardozo (SP) ameaçou dar-lhe voz de prisão, a sessão da sub-relatoria de contratos foi suspensa e seus integrantes foram consultar o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MG). Depois de quase uma hora, a cúpula da comissão decidiu efetuar sua primeira prisão. ¿O Parlamento e o povo foram execrados. O depoente foi reincidente porque usou ironia e nos colocou em xeque¿, afirmou Cardozo. A voz de prisão foi dada por Delcídio.

Antes da prisão, a CPI avisou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). ¿Fui constrangido e humilhado por esta comissão¿, reclamou Marcus Valerius, que foi levado para a superintendência da PF em Brasília.

No depoimento à CPI, ele confirmou que sacou mais de R$ 1 milhão da conta da empresa Skymaster, que era encarregada do transporte aéreo dos Correios. Contou que ia ao banco em Manaus e o dinheiro sacado era entregue a João Marcos Pozzeti, diretor da Skymaster.