Título: Para Caixa, parecer é 'instrumento eleitoral'
Autor: Rosa Costa
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/01/2006, Nacional, p. A4
A Caixa Econômica Federal emitiu nota ontem em que classifica o relatório preliminar da CPI dos Bingos de ¿instrumento político eleitoral¿. O texto afirma que o Tribunal de Contas da União (TCU), em reunião realizada em 13 de dezembro, ¿considerou que todas as providências adotadas pela atual gestão da Caixa no relacionamento com a Gtech foram adequadas e permitirão, ainda este ano, que ele processe, com sistema próprio, as loterias, livrando-se da dependência tecnológica da multinacional, que se arrastava desde 1997¿. De acordo com a nota, a CPI dos Bingos, ¿ao se desviar dos fatos e dos exames do TCU a respeito da prorrogação do contrato, produz peça política, recheada de premissas e considerações equivocadas, sem base em qualquer conteúdo probatório¿.
A multinacional Gtech também divulgou nota em reação ao parecer preliminar do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). De acordo com a empresa, o relatório ¿baseia-se em suposições, sem comprovar qualquer irregularidade no relacionamento com a Caixa Econômica Federal¿. Sustenta que o contrato com a Caixa ¿não é e nunca foi lesivo¿ à União. ¿Pelo contrário, entre 1997, ano em que a Gtech começou a prestar serviços para a Caixa, e 2004, as loterias online do Brasil arrecadaram um total de R$ 22,3 bilhões, valor 154% superior ao período anterior ao contrato.¿
¿A empresa foi vítima de uma tentativa de extorsão durante as negociações para renovação do contrato, fato este comunicado oficialmente pela própria empresa à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República¿, afirma a Gtech.
O empresário de jogos lotéricos Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, também contestou em nota o parecer. ¿As condutas supostamente delituosas imputadas à minha pessoa são inverossímeis e inexistentes, já que o caso Gtech foi amplamente investigado pela Polícia Federal, que não pediu o indiciamento de minha pessoa.¿