Título: 'Falhas de comunicação' causaram morte de Jean
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Fonte: O Estado de São Paulo, 20/01/2006, Internacional, p. A15

LONDRES - "Graves problemas de comunicação" entre os agentes britânicos causaram a confusão que resultou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, em julho, no metrô de Londres. De acordo com o relatório da Comissão Independente de Reclamações contra a Polícia Britânica, entregue ontem à procuradoria britânica. Cressida Dick, a oficial em serviço no dia da morte de Jean Charles, "praticamente não tinha dormido na noite anterior, por causa da falta de oficiais graduados da Scotland Yard treinados para lidar com ameaças de homens-bomba". Ela supervisionava os policiais armados e um colega dela, John McDowell, conduzia o trabalho da equipe que vigiava naquele dia o prédio onde o brasileiro morava. Jean Charles, que era eletricista e tinha 27 anos, foi morto com sete tiros na cabeça e um no ombro, disparados por um policial à paisana, em 22 de julho. No dia anterior, quatro homens tinham tentado, sem sucesso, desfechar atentados contra o sistema de transporte de Londres. Duas semanas antes, no dia 7, ataques suicidas deixaram mais de 50 mortos em estações de metrô e um ônibus da cidade.

O relatório da comissão, no entanto, não deixa claro se os policiais que estavam em serviço poderiam ser acusados criminalmente. A promotoria ainda vai decidir se há provas suficientes para responsabilizar algum envolvido no incidente, o que pode levar mais de um mês.

A família de Jean Charles queixou-se da falta de informação sobre o relatório da comissão. "Tudo que posso dizer é que há uma completa falta de respeito com a família. Estão fazendo tudo no escuro. Desde o começo, vimos que não faziam um bom trabalho", criticou Alex Pereira, primo de Jean Charles.

Os documentos relacionados ao inquérito da comissão, a alguns dos quais jornalistas tiveram acesso no ano passado, contradiziam a versão oficial de que Jean Charles usava roupas grossas para o frio e tinha comportamento suspeito.