Título: Presidente quer que PT articule reeleição
Autor: Clarissa Oliveira
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/01/2006, Nacional, p. A4

O presidente Lula quer que o PT assuma a tarefa de lançar sua campanha à reeleição enquanto ele continua dizendo que só vai decidir a candidatura ¿no limite¿ do prazo, em junho. A estratégia vem sendo discutida em reuniões reservadas, como a que ocorreu ontem na Granja do Torto, com a coordenação política do governo. ¿Eu não vou mover uma palha para ser candidato¿, disse o presidente. Na prática, Lula espera que o PT pare de brigar com aliados nos Estados e lhe ofereça as condições necessárias para o palanque da reeleição, sem que ele próprio precise entrar na linha de tiro dos adversários com antecedência. A tática tem o objetivo de preservar a figura do presidente.

Em diversas reuniões ao longo do dia, Lula repetiu ontem que sua cabeça está ¿voltada¿ para a agenda de governo e não ficará falando de reeleição. ¿Não sou eu que tenho de fazer isso¿, argumentou. ¿É o PT.¿ Lula ficou encantado com a iniciativa do governador do Acre, Jorge Viana (PT), que no sábado fez um ¿apelo¿ para que ele concorra à reeleição.

No encontro de ontem da Granja do Torto com os ministros Antonio Palocci (Fazenda), Jaques Wagner (Relações Institucionais), Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Ciro Gomes (Integração Nacional), Lula também foi questionado sobre o que fazer se a regra da verticalização for mantida. A norma obriga os partidos a reproduzir nos Estados a aliança nacional, o que dificulta, por exemplo, o casamento de papel passado entre o PT e o PMDB. ¿O presidente reafirmou que não é simpático à tese da verticalização. Não acha que garanta verdadeiras alianças¿, disse Wagner.

No fim da tarde e à noite, nos encontros que manteve separadamente com o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), Lula também afirmou que seu partido precisa ajudar a derrubar essa regra. Os senadores do PMDB fizeram o mesmo pedido a Lula na quinta-feira.

Ainda ontem, o presidente disse aos auxiliares que pretende anunciar até fevereiro o programa Brasil Produtivo e Solidário, um pacote de bondades que conterá ações geradoras de emprego e renda.