Título: Ajuste no Imposto de Renda fica longe da inflação acumulada
Autor: Lisandra Paraguassú e Gilse Guedes
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/01/2006, Nacional, p. A4
A decisão do governo federal de corrigir em 8% a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), somada ao reajuste de 10% concedido no ano passado, não cobre nem a metade da inflação acumulada nos últimos quatro anos, que chegou a 39,87%.
Com isso, aquele assalariado que teve o salário corrigido pela inflação nesse período acabou sendo atingido por uma mordida maior do Leão sobre o bolso, o que colaborou para a redução do poder de compra.
O governo diz que perderá - ou deixará de ganhar - cerca de R$ 2 bilhões com a correção da tabela, mas, desse total, R$ 900 milhões serão reduzidos das transferências constitucionais para Estados e municípios.
Em 2005, mesmo com a correção de 10%, a arrecadação com o Imposto de Renda dos assalariados registrou aumento de 6,4% acima da inflação, enquanto a economia brasileira deve ter crescido, na melhor das hipóteses, 2,6%.
ISENÇÃO
Com a correção de 8%, o patamar de isenção do tributo sobe para R$ 1.257. Como esse nível se refere ao salário líquido, depois da dedução da contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do abatimento de R$ 126 por dependente, o trabalhador que receber um salário bruto de R$ 1.553,93 e tiver um filho estará isento do Imposto de Renda.
ALÍQUOTA MÁXIMA
A segunda faixa de desconto do imposto, sobre a qual se paga 15%, deve passar para o intervalo entre R$ 1.257 e R$ 2.512. Só acima desse valor é que será cobrada a alíquota máxima, de 27,5%.
Para um salário bruto de R$ 2 mil, por exemplo, o Imposto de Renda devido chega a R$ 59,55 ou 3% da renda. Essa mordida vai crescendo à medida que o salário cresce. Para quem ganha R$ 10 mil, por exemplo, o desconto na fonte é de R$ 2.132,09 ou 21,3%.