Título: Quase mil empresas deixam de exportar com a valorização do real
Autor: Renata Veríssimo
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/01/2006, Economia & Negócios, p. B6

Sem fôlego para compensar a forte valorização do real ante o dólar, as pequenas e médias empresas que haviam conseguido vender produtos no exterior estão paulatinamente deixando de exportar. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgados ontem mostram que o número de exportadores brasileiros, que em 2004 chegou a 18.608, caiu para 17.657 em 2005, o que equivale a uma redução de 951 empresas.

Já o resultado das exportações, que atingiu o recorde de US$ 118,308 bilhões, ante US$ 96,475 bilhões em 2004, foi possível graças ao bom desempenho das commodities, que não dependem da taxa de câmbio, e da participação dos grandes conglomerados, que conseguem reduzir suas margens e absorver o custo cambial com a elevação de preços e da escala de produção.

"As grandes empresas têm cacife para bancar as vendas externas, com lucros ou prejuízos", diz José Augusto de Castro, diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Por esse motivo, segundo ele, a queda da rentabilidade não afetou o resultado das exportações. Ao contrário, as vendas externas aumentaram tanto em valores quanto em quantidade de produtos vendidos. As grandes exportadoras ficaram ainda maiores, enquanto as pequenas e médias encolheram.

O número de empresas que exportam mais de US$ 10 milhões por ano subiu de 1.001 para 1.113 empresas, e o valor de suas vendas externas atingiu US$ 105,493 bilhões (89,17% do total), ante US$ 84,114 bilhões em 2004 (87,19%). Já a participação das empresas com exportações anuais de até US$ 200 mil caiu de 0,56% para 0,41% no mesmo período.

De acordo com o diretor da AEB, o câmbio desfavorável influencia as exportações de manufaturados, setor em que atuam as pequenas e médias empresas. Tanto é que as exportações diárias de produtos básicos tiveram crescimento de 49,5% em janeiro, na comparação com janeiro do ano passado. As vendas de manufaturados aumentaram apenas 9,5% e a dos semimanufaturados, 6,5%.

As vendas externas da Volkswagen, maior exportadora de automóveis do País, atingiram o recorde de 260 mil unidades em 2005, o que equivale a um aumento de 27% em relação a 2004. Em valores, superaram os US$ 2 bilhões, com crescimento de 35%.

"O ano passado foi muito bom em termos de volume exportado, mas muito ruim em rentabilidade, que ficou próxima do vermelho", afirma Leonardo Soloaga, gerente-executivo de exportações da Volks.