Título: Líder promete Exército unificado
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Fonte: O Estado de São Paulo, 29/01/2006, Internacional, p. A14,15
Khaled Mashal, um dos líderes do Hamas, anunciou ontem que está disposto a unificar os grupos armados palestinos em "um Exército que defenda o povo". A mensagem é mais um desafio para Israel, que em várias ocasiões deixou claro que não permitirá a existência de uma Exército palestino. Pelos acordos firmados até agora, Israel aceitou apenas a formação de uma polícia palestina.
De todo modo, a tensão que tomou conta dos territórios ocupados após a confirmação da vitória do Hamas dá a mostra da profunda divisão entre os grupos radicais armados palestinos. Inconformados com a derrota eleitoral, membros do braço armado da Fatah - as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa - invadiram ontem por duas vezes a sede do Conselho Palestino (Parlamento) em Ramallah e dispararam desde o teto do edifício para exigir a renúncia dos líderes de seu próprio partido. Em várias cidades da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, milhares de ativistas da Fatah também protestaram com armas em punho contra os responsáveis pela coordenação da campanha eleitoral do movimento.
Num comunicado, as Brigadas também advertiram que não manterão o "período de calma" acertado no começo do ano passado com os grupos palestinos que se comprometeram a não lançar ataques terroristas contra Israel.
O governo israelense analisa hoje, durante a reunião semanal de gabinete, como se relacionará com os novos dirigentes da AP. A rádio pública de Israel informou ontem que o Exército do país não permitirá o livre trânsito de autoridades do Hamas entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.