Título: BM&F faz 1º pregão de viva-voz de dólar pronto
Autor: Renée Pereira
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/02/2006, Economia & Negócios, p. B4

A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) encerrou ontem o primeiro pregão viva-voz de dólar pronto. A moeda fechou o dia valendo R$ 2,2270, com 235 operações e volume negociado de US$ 358 milhões. Trata-se de um sistema de negociações com dólar à vista em que corretoras e bancos participam de uma roda de negociação. O primeiro pregão foi festejado com uma chuva de papéis imitando dólares. Nesse sistema, os interessados em comprar e vender dólar - muitos deles importadores e exportadores - apresentam as propostas a uma corretora ou banco, que enviará uma ordem a seu operador no pregão da BM&F para que o pedido do cliente seja ofertado.

Até ontem, as operações com dólar à vista funcionavam só no mercado interbancário de câmbio. Nele, as operações são feitas entre bancos e corretoras autorizadas pelo Banco Central, sem intermediações.

A criação da roda de dólar pronto traz vantagens para o mercado cambial, segundo a BM&F, como a aplicação dos mecanismos de fiscalização, monitoração e controle de pregões.

O diretor de Política Monetária do BC, Rodrigo Azevedo, acredita que o volume diário de negócios com o dólar à vista deve dobrar num curto espaço de tempo. Atualmente, esse mercado gira US$ 1,5 bilhão por dia. A aposta no crescimento decorre das vantagens da negociação do pronto em relação ao mercado de balcão.

Segundo ele, a roda trará maior transparência no conhecimento do valor do pronto, tanto no mercado primário como no secundário. Ele também acredita que haverá melhora na formação de preços e redução do custo de negociação.

Azevedo também prevê redução dos spreads de arbitragem. "Tudo indica que o preço formado na roda funcionará de benchmarking para negócios em outras moedas", disse ele, na inauguração da roda na BM&F.

O diretor do BC ainda prevê maior equilíbrio entre os mercados futuro e à vista do dólar, tanto em volumes quanto em cotação, a partir dos negócios na BM&F. Hoje, segundo ele, há uma assimetria no mercado, com concentração no futuro. Os derivativos também serão beneficiados, na avaliação de Azevedo, pelo funcionamento da roda.

O presidente da BM&F, Manuel Cintra Neto, prevê a criação das rodas de euro e iene ainda no primeiro semestre deste ano. Segundo ele, assim que os negócios da roda de câmbio pronto estiverem consolidados, a BM&F 'imediatamente" lançará as novas rodas. Embora elas ainda não tenham recebido a aprovação final do Banco Central, "os entendimentos estão muito avançados."