Título: 'Vamos entrar em Cité Soleil', diz comandante brasileiro da força de paz
Autor: José Maria Mayrink
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/02/2006, Internacional, p. A12

O general brasileiro José Elito Carvalho Siqueira, comandante da Força Militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), disse ao Estado que suas tropas vão entrar em Cité Soleil, em cooperação com a Polícia Internacional da ONU e com a Polícia Nacional do Haiti, para expulsar as gangues e bandidos da área.

"Cité Soleil não pode continuar como está", declarou o general Elito.

Há apenas 15 dias no posto, em substituição ao general Urano Bacellar, que foi encontrado morto em seu apartamento do Hotel Montana, na manhã de 7 de janeiro - num aparente suicídio -, o novo comandante já visitou todas as unidades, 7.500 homens de 21 países, que servem no Haiti, "incluindo o contingente da Jordânia, que atua em Cité Soleil".

O general Elito disse ter ficado satisfeito com o quadro militar, menos com o de Cité Soleil, que considera uma exceção.

"Se for preciso auxiliar a polícia para expulsar os bandidos, nós vamos estudar bem a situação e agir de maneira a ajudar a população, porque não somos uma tropa de ocupação, mas de paz e de estabilização", anunciou o comandante brasileiro.

A ocupação de Cité Soleil deverá ser discutida com o novo presidente do Haiti, logo que for anunciado o nome do vencedor das eleições de hoje.

Dependerá também do futuro governo e da estrutura do país a questão da permanência da Força Militar. Os dois candidatos que lideram as pesquisas eleitorais, René Préval e Charles Henri Baker, declararam que são favoráveis à permanência dos soldados da Minustah no Haiti por pelo menos mais alguns meses.

Foi por causa da situação de segurança em Cité Soleil que a American Airlines suspendeu, ontem e hoje, os cinco vôos diários que mantém entre os Estados Unidos e Porto Príncipe. Em 2004, após a queda de Jean- Bertrand Aristide, um jato da empresa foi atingido por um tiro na fuselagem, ao descer no aeroporto da capital.

Ao se aproximarem da pista, os aviões passam a 300 metros de altura ao lado da favela. Os bandidos atiram com fuzis AK-47, de 7,62 mm, e AR-15, de 5,56 mm.