Título: Indústria reage em dezembro e garante crescimento anual de 3,1%
Autor: Jacqueline Farid
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/02/2006, Economia & Negócios, p. B4

A produção industrial reagiu com vigor em dezembro e chegou ao final de 2005 com uma expansão acumulada de 3,1%. O resultado anual, embora positivo, é menos da metade que o apurado em 2004 (8,3%). A perda de ritmo da indústria no ano passado é atribuída especialmente aos juros elevados pelo economista Silvio Sales, chefe da Coordenação de Indústria do IBGE. Foi o sexto ano de crescimento consecutivo do setor.

Em dezembro, a produção cresceu 2,3% ante novembro - a maior expansão ante mês anterior desde setembro de 2003 e o melhor resultado para dezembro desde 2000 - e 3,2% ante dezembro de 2004. O bom desempenho no mês é atribuído ao final do processo de ajuste de estoques que ocorreu a partir do início do segundo semestre do ano passado e à recente trajetória de queda dos juros, que já teria apresentado reflexos positivos no setor.

Sales avalia que, a despeito da reação de dezembro, os dados fechados de 2005 confirmam que "desde setembro de 2004 houve uma elevação muito significativa das taxas de juros básicas e isso acabou rebatendo no nível de atividade". Estevão Kopschitz, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), adiciona aos juros o câmbio valorizado como fonte de forte impacto sobre as expectativas no ano passado.

Para Kopschitz, "3,1% (de crescimento) é pouco, porque o Brasil precisa de mais e o cenário internacional é muito favorável. Mas é importante frisar que o resultado veio dentro de um contexto de sucesso no combate à inflação".

Com os resultados fechados da indústria, o Ipea mantém a projeção de crescimento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do País em 2005. Os resultados finais do PIB serão divulgados pelo IBGE no dia 24.

Para Silvio Sales, a indústria veio perdendo ritmo ao longo do ano, já que as ações do governo para conter a inflação tiveram efeito sobre o ritmo de atividade, que se recuperou no último trimestre, sob o forte impacto de dezembro. "A questão é saber se a reação de dezembro foi pontual ou será confirmada", disse.

O economista do IBGE acredita que a reação da indústria no último mês de 2005 reflete a continuidade do bom desempenho das exportações, o aumento da massa salarial e a redução dos juros, com os reflexos positivos sobre a expectativa de empresários e consumidores. Para ele, a continuidade dessa reação nos próximos meses vai depender da sustentação do aumento da demanda.

Sales destacou que os dados de média móvel trimestral, considerados o principal indicador de tendência, e que mostraram crescimento de 1,3% na produção no trimestre encerrado em dezembro ante o terminado em novembro, confirmam um aumento generalizado da produção da indústria no mês.

ATRASO

Mas para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o desempenho de dezembro do ano passado pode ser um autêntico "feliz ano velho". Em relatório sobre os dados do IBGE, o diretor executivo da instituição, Julio Sergio Gomes de Almeida, afirma que a reação de dezembro foi resultado exclusivamente do atraso de encomendas do comércio para a indústria.