Título: PT encara reeleição do presidente como questão de vida ou morte
Autor: Luciana Nunes Leal
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/02/2006, Nacional, p. A4
Na festa dos 26 anos do partido, líderes e governadores petistas fazem cálculos para chegar à vitória em outubro
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é uma questão de vida ou morte para o PT. O clima de tudo ou nada foi evidenciado ontem, na reunião de governantes e parlamentares petistas com o presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), antes da festa pelos 26 anos de existência do PT.
"Nosso projeto está em xeque (...) Se a gente não ganhar, não escapa ninguém, não sobra nada (...). É como uma disputa de Copa do Mundo", comparou o governador do Acre, Jorge Viana, em discurso para os poucos mais de 40 presentes. "Vamos mostrar que o presidente é muito bom e o PT é outro partido." Para Viana, o PT deve reconhecer que errou ao usar caixa 2 e deixar claro que "não vai cair nesse jogo de novo". Ele contou que, na chegada à reunião, foi questionado por jornalistas sobre o "apoio dos partidos do mensalão" a Lula. E repetiu o que havia dito pouco antes: "Eu trocaria mensalão por caixa 2. Se o critério for caixa 2, não haveria partido para conversar."
Após a reunião, Berzoini explicou que temas sobre os quais há divergências - como as alianças e qual o melhor momento para Lula assumir a candidatura - foram tratados, mas "não de forma decisiva". Para ele, é preciso construir consensos. "Essa é minha tarefa este ano e procuro desempenhá-la, inclusive renunciando a opiniões."
Algumas divergências ficaram claras. O prefeito do Recife, João Paulo, disse entender a "posição de Lula" de adiar ao máximo o anúncio da candidatura à reeleição, mas seria bom que ele a apresentasse logo, para facilitar alianças regionais.
Meia hora depois, Viana chegou com discurso oposto. "Não temos que atrapalhar a agenda do governo. Seria um prejuízo se definíssemos hoje o candidato. O patrimônio que temos é o governo. Só vamos perder transformando o presidente Lula em candidato a presidente."
O governador disse que, ao contrário de 2002, quando o ex-ministro José Dirceu foi comandante da campanha, não haverá um coordenador-geral. "Não vamos ter a figura do todo-poderoso. Desta vez Lula é presidente." Ele disse preferir Antonio Palocci no governo: " Coordenador a gente pode encontrar. Ministro da Fazenda, não."
FESTA
A festa dos 26 anos do PT virou uma mistura de desagravo ao partido e aposta na reeleição do presidente Lula. Berzoini afirmou no discurso que o PT saiu mais forte do "maior cerco que um partido já sofreu". "Aqueles que quiseram nos destruir talvez nos tenham feito um favor. Colocaram à prova nossas convicções e hoje o PT é um partido mais vigoroso, inclusive para enfrentar estas eleições."
A festa em Brasília, para cerca de 700 pessoas, reuniu os principais líderes do PT e ressuscitou palavras de ordem petistas pouco ouvidas no ano que passou. Entre eles, o "Lula Lá" e o "1,2,3, Lula outra vez".
Assim que chegou, Lula foi cercado por militantes e passou por uma longa sessão de fotos e autógrafos. Até com um bebê de quatro meses ele posou.