Título: Consumo terá reforço de R$ 107,6 bilhões
Autor: Lu Aiko Otta
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/02/2006, Economia & Negócios, p. B3
Pacote da construção e aumento do mínimo injetam dinheiro no mercado
O consumo da famílias deverá aumentar em R$ 107,6 bilhões (valor nominal) este ano. Desse total, cerca de 30% virão de recursos adicionais decorrentes de decisões como o aumento do salário mínimo e o pacote para a construção civil anunciado este mês pelo governo. A expectativa é de que o peso do consumo dentro do Produto Interno Bruto (PIB) - que caiu sucessivamente de 1997 (62,7%) a 2004 (55,2%) - tenha voltado a subir ano passado e que mantenha o crescimento em 2006.
As projeções são da consultoria MB Associados. A estimativa é de que R$ 35 bilhões chegarão ao mercado de consumo, a partir de um cálculo que contempla o os impactos adicionais do reajuste do salário mínimo, do funcionalismo estadual e municipal, do programa bolsa-família, do pacote da construção civil e da oferta de crédito consignado. Outros fatores, como o esperado avanço da massa salarial, engrossarão o consumo também este ano.
As previsões da MB indicam que apenas o aumento do salário mínimo injetará R$ 18 bilhões a mais na economia em relação a 2006. Outros R$ 2 bilhões são o impacto projetado com o aumento do salário do funcionalismo estadual e municipal. No caso do bolsa-família, o incremento projetado pela consultoria é de R$ 2,3 bilhões. No caso do pacote da construção civil, o cálculo chega a um incremento de R$ 4,8 bilhões. Já quanto ao crédito consignado, a projeção é de incremento de R$ 8 bilhões.
O economista da MB Sérgio Vale explica que a maior parte da cifra adicional está concentrada nos recursos movimentados pelo grupo mais pobre da população, o que irá representar "um incremento e tanto".
Segundo ele, deve haver também forte impacto no consumo da classe média, a partir da correção da tabela do Imposto de Renda.
Ele explica, ainda, que no caso do salário mínimo do setor privado (que vai aumentar de R$ 300 para R$ 350), basicamente todo o acréscimo deve ser destinado ao consumo. O diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sérgio Gomes de Almeida, explica que uma parte destes valores adicionais deverão ser destinados principalmente à aquisição de bens não-duráveis (alimentos, medicamentos, produtos gráficos) e semi-duráveis (vestuário). Outra parte seguirá para gastos em serviços (telefonia celular, energia elétrica, dentre outros).
FATIA DE CONSUMO
Sérgio Vale lembra que o consumo cresceu a uma taxa maior do que a do PIB em 2005 e em 2006, como indicam as projeções da consultoria. Os números relativos a 2005 ainda serão divulgados pelo IBGE. Para o ano passado, a MB estima que o crescimento do consumo (descontada a inflação) foi de 3,1%, enquanto o PIB aumentou apenas 2,5%. Já para 2006, a MB projeta um crescimento de 3,7% no consumo privado, ante uma expectativa de avanço de 3,3% para o PIB. As últimas previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) também indicam maior avanço do consumo (4,6%) maior do que o do PIB (3,4%).
Além da parte do consumo das famílias, o PIB (na ótica da demanda) é formado pelo consumo do governo, pelos investimentos, pelas exportações, menos os valores das importações, que são riquezas produzidas e contabilizadas nos países de origem.