Título: Argentinos já contam os prejuízos
Autor: Fabíola Salvador
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/02/2006, Economia & Negócios, p. B7
Além de sofrer embargo, país terá de adiar plano de entrar nos EUA
O anúncio do surgimento de um foco de aftosa na Província de Corrientes teve o efeito de uma bofetada no rosto dos produtores pecuaristas argentinos. Desde quarta-feira, a Argentina começou a perder os mercados que havia reconquistado com dificuldade após o país ter sido declarado livre de aftosa, em 2003, pela Organização Internacional de Epizootias.
Em poucas horas, Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile (um dos principais compradores, que em 2005 importou US$ 119 milhões da Argentina ou 9% do total) fecharam suas portas à carne argentina. Ontem a Colômbia também anunciou a suspensão - por seis meses - das compras de carnes argentinas bovinas, suínas e de demais espécies suscetíveis de contaminação de aftosa.
O país também teme perder o mercado russo, para onde exportou US$ 325 milhões entre janeiro e novembro do ano passado, além da União Européia. Em 2005, a Rússia absorveu 32% das exportações de carne argentina. As vendas para Rússia e Chile cresceram no ano passado depois de a doença ter sido detectada no Brasil.
O surgimento de um foco de aftosa ainda deve acabar com os planos argentinos de vender carne para os Estados Unidos, O Departamento de Agricultura americano avaliava essa possibilidade.
CONTRABANDO
A fazenda San Juan onde foi localizado o foco de aftosa pertence a José Romero Feris - famoso ex-caudilho da Província de Corrientes, acusado de escabrosos casos de corrupção que causaram várias revoltas sociais. A fazenda é administrada pelo filho de Feris, José Antonio Romero Brisco. Ele alega que todo o gado estava vacinado. Romero Brisco também argumenta que pode ter havido algum problema na vacina que é dada pelo Serviço Nacional de Sanidade Agroalimentícia ( Senasa).
Extra-oficialmente, autoridades e especialistas do setor consideram que a aftosa pode ter entrado em Corrientes por meio de contrabando de gado infectado do Paraguai. Romero Brisco também nega que tenha comprado gado contrabandeado.
O Senasa detectou 70 bovinos contaminados da raça Bradford. No entanto, calcula-se que 3.067 cabeças de gado correm o risco de já terem sido contaminadas. O órgão determinou que todo o comércio de gado na região do foco será suspenso por tempo indeterminado.