Título: Governo vira trampolim para outros petistas
Autor: Roldão Arruda
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/03/2006, Nacional, p. A6

O caso do ministro Miguel Rossetto não é único no partido do presidente Lula. Há mais petistas que saíram derrotados das eleições de 2002, conseguiram postos importantes no governo e, agora, se preparam para aproveitar a visibilidade e tentar de novo cargo eletivo. Pelo menos oito dos candidatos lançados pelo PT a governos estaduais em 2002, com passagem pela equipe de Lula, planejam testar novamente sua popularidade com o eleitorado.

Na Bahia, o ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, deve tentar novamente o governo estadual. Em Pernambuco, o ex-ministro da Saúde Humberto Costa também concorrerá ao governo. O atual secretário nacional de Pesca, José Fritsch, é pré-candidato ao governo de Santa Catarina. Ex-presidente do Banco Popular, Geraldo Magela também é pré-candidato ao governo do Distrito Federal.

Derrotado em 2002 para o governo de Sergipe, o ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra decide agora se tenta uma vaga no Senado ou na Câmara dos Deputados. Também derrotado no segundo turno na disputa pelo governo cearense, o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) José Airton Cirilo já lançou sua candidatura ao governo cearense.

Depois de perder o governo do Rio em 2002, a ex-ministra da Ação Social Benedita da Silva será candidata do PT ao Senado, pelo Rio. Já Nilmário Miranda, que tentou se eleger governador de Minas Gerais em 2002, passou pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos e deve concorrer à Câmara dos Deputados.

A opção de Lula por empregar petistas derrotados nas urnas foi muito criticada no início do governo. O presidente foi acusado de entregar cargos importantes como prêmio de consolação e não por capacidade técnica do ocupante. A estratégia garantiu visibilidade política a esses aliados.

"É evidente que a passagem por esses postos de destaque deu visibilidade, mas já eram nomes de peso", afirma o secretário nacional de Organização do PT, Romênio Pereira.

O secretário Fritsch, por exemplo, tinha sido prefeito de Chapecó. Humberto Costa, deputado e secretário municipal em Recife. Benedita foi governadora do Rio.

Romênio acha que a grande vantagem desse processo é que os candidatos petistas levam para suas campanhas - e possíveis cargos futuros - a experiência como gestores na administração federal.

Governo e partido também esperam que eles atuem regionalmente na defesa da gestão Lula. Os candidatos que deixam a administração farão eco sobre as realizações federais e rebaterão as acusações que serão feitas envolvendo corrupção.