Título: Direção da FGV emite notas e não dá entrevista
Autor: Renata Cafardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/03/2006, Vida&, p. A15
A Fundação Getulio Vargas (FGV) foi procurada pelo Estado durante toda a sexta-feira. Sua assessoria de imprensa informou por volta das 19 horas que o presidente não havia sido encontrado e por isso não poderia conceder entrevista. O presidente atual da fundação é Carlos Ivan Simonsen Leal, engenheiro especializado em economia que iniciou sua carreira como professor da instituição. Ele é o terceiro presidente da FGV desde sua constituição, em 1944. Seu mandato começou em 2000.
Fernando Meirelles, diretor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp), também não quis dar entrevista. Na semana retrasada, a direção da escola divulgou nota em que afirmava que as demissões não colocavam em risco a qualidade do ensino. "A excelência acadêmica é um atributo que a Fundação Getulio Vargas e a Eaesp não abriram e jamais abrirão mão. São 52 anos de pioneirismo, liderança e excelência", afirmava o texto. Segundo a direção, os 16 professores foram demitidos por "decisão meramente administrativa".
Uma outra nota foi elaborada para tratar apenas da demissão de Michael Zeitlin. Dizia que ele havia comunicado sua intenção de deixar a escola num futuro próximo. "Seu desligamento deve-se, então, a dois fatores: a intenção do mesmo de aposentar-se, bem como aos motivos administrativos que ocasionaram as demissões anteriores", explicava o documento.
Logo depois da demissão, 40 professores da Eaesp pediram, em abaixo-assinado, que fosse convocada uma reunião da Congregação para discutir o problema. Para o grupo, as dispensas deveriam ter sido previamente aprovadas pelo órgão máximo da escola. Na semana passada, alguns deles decidiram entrar com uma ação na Justiça para que sejam ouvidos.