Título: Mercado dá como certo corte de 0,75 nos juros
Autor: Patrícia Campos Mello
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/03/2006, Economia & Negócios, p. B1
O mercado financeiro chegou à véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre hoje e amanhã, acreditando em novo corte de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic).Com isso, a taxa passaria dos atuais 17,25% para 16,50% ao ano, menor patamar desde setembro de 2004.
A expectativa de corte dos juros foi captada na pesquisa semanal que o Banco Central (BC) faz para avaliar as projeções das instituições financeiras e empresas de consultoria para os principais indicadores econômicos. A previsão do mercado para um novo corte dos juros tem como razão principal a expectativa de que a inflação está sob controle.
"Com o câmbio ajudando, as previsões para o IPCA só tendem a recuar", disse um analista de mercado. Na pesquisa semanal do BC, a previsão para o IPCA deste ano recuou pela terceira vez consecutiva e caiu de 4,59% para 4,56%. A distância entre a projeção do mercado e a meta oficial de inflação deste ano, de 4,50%, passou a ser de apenas 0,06 ponto porcentual. "Não descarto a hipótese de as projeções caírem mais e ficarem nos 4,50%", comentou um analista.
O nível de atividade econômica é outro ponto apontado pelos analistas de mercado para o otimismo. "Com a atividade econômica fraca, ficamos longe da possibilidade de inflação provocada por aumento do consumo", disse um analista. Na pesquisa divulgada ontem, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) continuou em 3,50%, o que já dura 44 semanas consecutivas. O porcentual, apesar de estável, é inferior aos 4% esperados pelo próprio BC e também é menor que os 5% estimados por alguns integrantes do governo.
O mercado financeiro manteve a estimativas para a taxa Selic no fim do ano, de 14,50%. O Copom, na visão do mercado, manteria a estratégia de cortar os juros em 0,75 ponto porcentual em abril e junho. A partir daí, os cortes seriam de 0,25 ponto porcentual.