Título: Apoio de Lula à proposta é míope, diz Iata
Autor: Reali Júnior
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/03/2006, Economia & Negócios, p. B5
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) defendeu ontem a rejeição da proposta francesa e brasileira de criar uma taxa sobre passagens aéreas para financiar um fundo de combate à pobreza. Os dois governos lançaram o projeto do novo imposto para vigorar a partir de 1.º de julho. A iniciativa partiu dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Jacques Chirac. "O apoio do presidente Lula à proposta é miope", afirmou Anthony Concil, porta-voz da entidade.
"As empresas aéreas dão uma contribuição enorme para o desenvolvimento ao levar turistas para destinações e transportar bens para os mercados. Tornar o transporte aéreo mais caro é uma forma de minar o instrumento que alimenta o desenvolvimento", afirmou Giovanni Bisignani, diretor da Iata, entidade que reúne mais de 220 empresas aéreas do mundo, entre elas a Varig. A taxa proposta por Chirac varia entre 10 e 40, dependendo da distância.
"Até mesmo os países que deveriam se beneficiar dessa suposta ajuda estão contra a taxa. A União Africana pediu a todos os seus países que rejeitem a idéia que adicionaria um custo para o transporte. Eles (africanos) reconhecem a contribuição da aviação para suas economias", disse Bisignani.
Na África, a Iata alerta que o transporte aéreo é importante porque faltam rodovias e ferrovias. Lembra que só no continente africano, o setor mantém 470 mil empregos e soma US$ 11,3 bilhões para o PIB regional.
Em 2005, o número de passageiros na África aumentou expressivos 9,9%, enquanto a média mundial foi de 7,6%.
As empresas também criticam a ONU por apoiar o projeto. "O apoio do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, à taxa é desapontador", afirmou a entidade. Segundo a Iata, a medida vai contra a Organização Internacional de Aviação Civil, uma agência da ONU, que busca reduzir custos e impostos sobre o setor.
As empresas alertam que o imposto significa limitar a habilidade da indústria em buscar o desenvolvimento. "É o momento de substituir politicagem por pensamentos claros", aponta a entidade. Para o setor, a França poderia financiar o fundo contra a pobreza em 3 bilhões por ano ao deslocar apenas 25% dos subsídios que dá ao seu sistema ferroviário.