Título: 'Enxurrada de capital é exagero'
Autor: Rita Tavares
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/02/2006, Economia & Negócios, p. B4
O presidente do banco Real ABN Amro, Fabio Barbosa, não acredita que a desoneração tributária dos investimentos estrangeiros em títulos da dívida pública terá um grande impacto sobre a cotação do dólar. Alguns setores da indústria e o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, afirmam que a medida, uma vez aprovada, poderá levar a uma grande queda do dólar, por causa da atração dos investimentos estrangeiros.
Para Barbosa, "é um exagero" dizer que a desoneração trará uma enxurrada de capital estrangeiro, o que levará a uma grande queda do dólar. O presidente do ABN acredita que a demanda dos investidores estrangeiros por títulos da dívida brasileira "vai aumentar marginalmente". "O que vai acontecer, e que é ótimo, é um alongamento dos prazos da dívida pública brasileira."
Segundo José Berenguer, vice-presidente de Mercado de Capitais e Tesouraria do banco, na prática, o investidor estrangeiro já compra títulos da dívida pública brasileira quando quer. "Ao tirar os impostos, o governo só vai tornar essa compra mais eficiente, o que alongará o prazo da dívida."
O ABN projeta o valor do dólar entre R$ 2,15 e R$ 2,35 no fim do ano. "Pode até ficar abaixo de R$ 2,15, o fluxo está muito forte", diz Barbosa. Ele não acha que deve ser feita uma intervenção para evitar a valorização do câmbio. "Estão entrando US$ 4 bilhões por mês só com a balança comercial, tentar intervir é enxugar gelo", diz. "O mais importante é determinar como vamos viver essa nova realidade de grande ingressos de dólares." Para ele, o câmbio vai se ajustar naturalmente, com a reforma da legislação cambial, o crescimento da economia (que vai elevar as importações) e a queda dos juros.