Título: Sessão tem bate-boca e ata falsa
Autor: Eugênia Lopes, Luciana Nunes Leal
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/02/2006, Nacional, p. A4

Para questionar lista, oposição usa documentos fictícios

Em muitos momentos da sessão para ouvir o ex-diretor Dimas Toledo, quem menos falou foi o depoente. Sem tempo para perguntas, oposicionistas e governistas gastaram os dez minutos a que tinham direito para o confronto político. O principal foco do bate-boca foi a autenticidade da lista de Furnas.

A oposição fez duras críticas ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, por ter determinado à Polícia Federal que investigasse a veracidade da lista. Os tucanos insistiram em que a investigação caberia ao Supremo Tribunal Federal.

¿Essa história não pode ficar sem solução. A Polícia Federal está silente. O ministro não se pronunciou sobre o caso. É uma farsa mal contada¿, protestou o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). ¿O ministro Márcio Thomaz Bastos tem se utilizado da Polícia Federal para fazer jogo político¿, atacou o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). O deputado petista José Eduardo Martins Cardozo (SP) defendeu o ministro. ¿A acusação é injusta. É natural que a Polícia Federal investigue¿, disse Cardozo.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), a certa altura anunciou ter em mãos uma outra lista que teria sido entregue pelo lobista Nilton Monteiro à PF. Ela teria, além dos 156 políticos da versão conhecida, outros 35 nomes ¿ todos de petistas. ¿Esta lista tem uma versão light e uma versão heavy, com petistas. Ele (Monteiro) entregou uma lista heavy à Polícia Federal. Depois, tirou os 35 nomes do PT. Estou querendo mostrar que ele é capaz de criar listas falsas. Não vou respeitar esse doido¿, disse o senador.

Virgílio mostrou uma cópia da lista que disse ter sido deixada em seu gabinete. Não havia, porém, nenhuma referência a Furnas no papel. Trata-se da relação de nomes dada por Marcos Valério ao deputado Paulo Pimenta (PT-RS), em episódio que provocou o afastamento do petista da vice-presidência da CPI do Mensalão. A lista de Furnas tem assinatura de Dimas com firma reconhecida, mas o ele insiste em que não a assinou. Virgílio tentou mostrar a facilidade de autenticar documentos absurdos lendo uma ata de reunião fictícia da ¿bancada do governo¿, integrada por atores famosos, personalidades mortas e parlamentares petistas.

O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) mostrou um documento em que consta sua assinatura, falsificada, também com firma reconhecida em cartório. Nele, o tucano dizia ser o mentor do mensalão. ¿Quando a CPI passa a discutir a lista de um notório falsário, os ingredientes da pizza começam a ser colocados¿, disse Paes.

Os oposicionistas insistiram em desqualificar o lobista Monteiro, mas os governistas reagiram. ¿Já ouvimos até pessoas condenadas, que vieram aqui com o uniforme da prisão. O que não pode é não investigar¿, reclamou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).