Título: Para Delcídio, dúvida sobre lista trava comissão
Autor: Ana Paula Scinocca
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/02/2006, Nacional, p. A4
O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse ontem que a comissão não pode analisar as novas denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) enquanto houver dúvidas sobre a autenticidade da lista de parlamentares beneficiados pelo suposto esquema de caixa 2 em Furnas. Delcídio acredita que, com o depoimento do ex-diretor da estatal Dimas Toledo na quarta-feira, será possível fazer um "juízo de valor" sobre as declarações de Jefferson publicadas ontem no Estado.
"Essa lista causou uma polêmica muito grande e eu acredito que, em função das decisões da CPI, estamos criando condições para esclarecer os fatos", afirmou o senador. "Será uma semana de tensionamento, mas eventualmente pode esclarecer muita coisa."
Dimas é apontado como autor da lista com 156 nomes de políticos que teriam se beneficiado com recursos do caixa 2 na campanha política de 2002. Para Delcídio, a comissão tem de levar em conta uma série de fatores, antes de decidir investigar as últimas denúncias de Jefferson. "Eu sempre tratei esse assunto com cautela. Primeiro, em função das condições e evidentemente pelas conseqüências que isso pode trazer", defendeu Delcídio. "Temos de ter serenidade."
O presidente da CPI argumentou que, antes de atrair novas apurações para a comissão, é necessário ouvir o ex-diretor de Furnas e analisar os depoimentos concedidos à Polícia Federal pelo lobista Nilton Monteiro, que distribuiu a lista. Também depois dessa fase é que, segundo ele, a CPI vai decidir sobre a data da convocação de Monteiro, aprovada desde agosto do ano passado.
Sobre ida do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, à comissão para que fale sobre a autenticidade ou não da lista de Furnas, Delcídio acha que a medida ainda não se justifica. Segundo ele, é preciso "queimar etapas" - ou seja pedir à Polícia Federal que se manifeste sobre a veracidade da relação, antes de chamar o ministro.
Já na apuração do dinheiro movimentado pelo publicitário Duda Mendonça no exterior, o senador prevê que serão necessárias duas semanas para cruzar os dados que os promotores de Nova York vão mandar à CPI. "É só questão de tempo. Como o programa tem uma capacidade grande de cruzar informações telefônicas e bancárias, eventualmente vamos analisar se aparece alguma novidade no meio do caminho", afirmou.