Título: Risco país despenca para 226 pontos
Autor: Patrícia Campos Mello e Adriana Chiarini
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/02/2006, Economia & Negócios, p. B1

O risco país, indicador que mede a atratividade do Brasil para os investidores estrangeiros, caiu 11,72% e fechou ontem no nível mais baixo da história, em 226 pontos. O Brasil se aproxima da pontuação de outros países considerados "grau de investimento" (seguros para os investidores), como o México (111) e a Rússia (108). A queda mais intensa do risco país foi reflexo do anúncio da recompra de parte da dívida externa, feito pelo secretário do Tesouro, Joaquim Levy, na quarta-feira. O mercado encarou a iniciativa como um grande avanço para os fundamentos da economia do País.

"A recompra da dívida foi uma operação de mestre", diz o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria Integrada. "A recompra reduz o endividamento externo, que é substituído por dívida interna a custo mais baixo e prazo mais longo." Para a agência de classificação de risco Standard & Poor's, a recompra mostra prudência e melhora o perfil da dívida. A economista da Mellon Global Investments-Brasil, Solange Srour Chachamovitz, lembra que, no México, a recompra de dívida externa seguida por incentivos ao investimento estrangeiro ajudaram a mudar a estrutura da dívida pública e a levar o país ao "grau de investimento". Para ela, isso também deve ocorrer com o Brasil.

O dólar acompanhou a euforia e bateu nos R$ 2,15, mas acabou fechando em R$ 2,16, com queda de 0,18%. Foi o valor mais baixo desde 11 de novembro. "Todo o fortalecimento dos fundamentos da economia brasileira levou a uma mudança da percepção em relação ao Brasil", diz Flávio Serrano, da corretora Ágora Sênior. A Bovespa abriu em forte alta mas, no início da tarde, perdeu força. Mesmo assim, seguiu o bom humor geral e encerrou em alta de 0,25%.