Título: Lula quer festa política a bordo
Autor: Nicola Pamplona
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/02/2006, Economia & Negócios, p. B4,5
Petrobrás vai gastar R$ 37 milhões de reais em propaganda para comemorar a inauguração da plataforma P-50
O formato da festa ainda não foi definido. Mas já começam a surgir, dentro e fora da Petrobrás, preocupações sobre o uso eleitoral da conquista da auto-suficiência na produção de petróleo, que deve ser comemorada após o início das operações da plataforma P-50, no início de abril. Virtual candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarou duas vezes que quer estar na plataforma quando o momento chegar.
"A conquista da auto-suficiência não é patrimônio deste ou daquele governo, por mais atuantes que tenham sido, ou não, em prol da causa do petróleo no Brasil", reage o engenheiro José Marques Neto, ex-funcionário da estatal. Na empresa, o que se pretende é dar um tom institucional à festa, mas sabe-se que não será possível fugir de colorações partidárias.
A Petrobrás prepara uma campanha publicitária, com investimentos de R$ 37 milhões, valor considerado modesto pelo mercado, diante do tamanho da empresa. As peças, em elaboração por três agências de publicidade - a F/Nazca, a Duda Propaganda e a Quê - privilegiam um tom didático, mostrando o que o País ganha com a auto-suficiência.
Para o professor do Ibmec, Cláudio Considera, ao assumir a responsabilidade, Lula estará comemorando, na verdade, um dos menores crescimentos da produção da história da empresa. Considera levantou dados sobre a produção de petróleo sob a batuta de todos os presidentes da República desde os anos 70 e descobriu que o períodos de maior crescimento da produção se deu no governo militar de João Batista Figueiredo (19,54% ao ano), seguido por Fernando Henrique Cardoso (10,14%).
No governo Lula, diz Considera, a produção média cresceu só 3,9%, abaixo ainda da média de José Sarney (5%). A dianteira de Figueiredo, porém, confirma que a redução da dependência não é resultado do esforço de apenas um governo: sua gestão, entre 1979 e 1984, colheu os louros da descoberta da Bacia de Campos, na década de 70.