Título: Na agenda presidencial, sexta é dia de palanque
Autor: Leonêncio Nossa e Angela Lacerda
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/03/2006, Nacional, p. A4
Na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sexta-feira é dia de viagem e palanque. Das 10 sextas de 2006, o presidente esteve fora de Brasília em 7. Em 5 dessas ocasiões, fez discursos e se portou como candidato à reeleição - inclusive em uma em que estava na África, mas não perdeu a chance de falar veladamente dos adversários.
No Brasil, Lula inaugurou obras, participou de cerimônias comemorativas, assinou acordos e fez agrados. Sempre dizendo que não está fazendo campanha e, sim, governando o País. Ontem, Lula repetiu a dose em Pernambuco. O presidente visitou o Estado para a inauguração de um conjunto residencial e mais uma vez fez questão de dizer que não está em campanha.
Nas sextas-feiras em que discursou, além de confirmar que só está exercendo seu cargo, Lula também criticou seus opositores. Exemplo disso apareceu em Queimados, na Baixada Fluminense, tendo como alvo Anthony e Rosinha Garotinho. "Vocês sabem o que fizemos na indústria naval do Rio, mas tem gente que diz que não é nossa, é deles", criticou, sem citar o casal. "Não vou ficar discutindo quem é o pai da criança, quero saber quem é que está cuidando da criança", disse em palanque.
No Benin, Lula participou de um ritual de vodu ministrado por um grupo tribal. Ao ser avisado de que as entidades poderiam livrá-lo da "urucubaca" que, segundo ele, paira sob seu governo, entusiasmou-se: "Tomara!"
Ver Lula promover suas realizações mantendo-se no cargo não agrada ao PSDB. O governador Geraldo Alckmin, possível candidato tucano, diz que Lula usa o fim do mandato para fazer o que não fez em três anos e assim colocar-se na disputa.