Título: Bornhausen articula coligação com PSDB
Autor: Cida Fontes
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/03/2006, Nacional, p. A7

O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), abre amanhã as articulações internas para definir a aliança com o PSDB. A primeira conversa será com o prefeito do Rio, César Maia, que prometera reativar sua candidatura à Presidência caso o candidato dos tucanos ao Palácio do Planalto fosse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Depois disso, Bornhausen vai ouvir parlamentares, governadores e dirigentes estaduais do partido.

Esse roteiro terá início só após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a verticalização, regra que impede os partidos de se aliarem, nos Estados, a legendas às quais não estejam coligados na campanha presidencial. Bornhausen, no entanto, já adiantara ao Estado no sábado que a coligação independeria da escolha do candidato tucano e da decisão do STF.

O PFL tem candidatos ao governo de nove Estados e quer sentar à mesa com os tucanos para apresentar algumas reivindicações. Até agora, apenas em Pernambuco os dois partidos estão coligados. Além do apoio para eleger o maior número de governadores e deputados federais, o PFL quer influir no programa de governo do PSDB. Bornhausen vai entregar um documento com as propostas a Alckmin. "Vou mostrar ao candidato as nossas prioridades eleitorais e administrativas", adiantou o presidente do PFL. O senador estará em São Paulo no fim de semana para conversar com vice-prefeito Gilberto Kassab e o vice-governador Cláudio Lembo, ambos do PFL.

Para integrantes da cúpula do partido, que torciam pela indicação do prefeito José Serra, a tarefa agora ficou mais difícil, porque o nome de Alckmin é menos conhecido nacionalmente. Avaliam que, ao contrário do governador, Serra sairia na frente já no início da campanha. No entanto, acham que Alckmin tem potencial para crescer nas pesquisas e, como trunfo, uma administração de êxito em São Paulo, podendo exibir dados e compará-los com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Enquanto Bornhausen e César Maia preferiam Serra, o grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (BA) torcia por Alckmin. ACM não escondia seu contentamento com a opção dos tucanos. Por volta de 15 horas, Serra telefonou para Bornhausen e informou que abrira mão da candidatura. Alegou ao senador que a disputa em prévias seria prejudicial e dividiria o PSDB. O grupo de Bornhausen, que esperava comandar a Prefeitura de São Paulo no lugar de Serra, ficou frustrado.

VICE

O líder do PFL, senador José Agripino (RN), é o mais cotado para ser o vice na chapa de Alckmin. Ele transita bem nos grupos de ACM e Bornhausen, além de contar com simpatia entre os tucanos. Mas outros nomes estão à mesa, como o dos senadores José Jorge (PFL-PE) e César Borges (PFL-BA). Bornhausen não tem pressa e quer discutir com Alckmin o perfil de seu vice. "Vamos com calma", ponderou ACM. "Não pode ser um vice que tire voto", observou Bornhausen, esquivando-se de dar nomes.

No PFL, há também um grupo contrário à coligação presidencial. O argumento é que, mantida a verticalização, é melhor deixar o partido livre para fazer as alianças mais convenientes nos Estados. É o que pensa a senadora Roseana Sarney (MA), que sempre assumiu posições simpáticas ao governo Lula.