Título: Violência sectária no Iraque faz 87 vítimas em apenas dois dias
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/03/2006, Internacional, p. A14

A polícia iraquiana encontrou pelo menos 87 corpos de homens estrangulados ou com um tiro na nuca nos últimos dois dias em Bagdá. As mortes aparentemente estão relacionadas com a violência sectária, desatada após a destruição de um importante santuário xiita na cidade de Samara, informou o Ministério de Interior.

O ministério proibiu os veículos de circularem ontem na capital, por ser o primeiro dia de sessão do novo Parlamento. A proibição será estendida até a tarde de amanhã. A violência sectária tem complicado as negociações para a formação do governo permanente.

Vinte e nove cadáveres, vendados e apenas com a roupa de baixo, foram encontrados em uma vala comum no bairro xiita de Kamaliya, no leste de Bagdá. O coronel Falah al- Mohammedawi, do Ministério do Interior, estimou que as vítimas foram mortas cerca de três dias antes, desmentindo os rumores de que os assassinatos teriam sido em vingança a um ataque com granadas de morteiros contra Cidade Sadr, uma favela xiita em Bagdá, que matou 58 pessoas e feriu outras 200 na noite de domingo.

Horas antes, foi encontrado um microônibus com 15 cadáveres abandonado entre dois bairros sunitas de Bagdá, perto de onde foi descoberto outro ônibus na semana passada com 18 corpos. Pelo menos mais outros 40 cadáveres foram encontrados na capital, em bairros sunitas e xiitas. Em um exemplo de que vários grupos estão tentando fazer justiça com as próprias mãos, vigilantes xiitas detiveram quatro homens suspeitos de ataques terroristas. Eles os interrogaram, torturaram, mataram e então penduraram seus corpos em postes de iluminação na segunda-feira.

A onda de assassinatos aparentemente busca desmentir a alegação do governo americano de que as forças de segurança iraquianas podem lidar com a situação sozinhas. Menos de um mês após a destruição da Mesquita Dourada em Samara, muitos iraquianos temem que a onda de violência leve a uma guerra sectária. Nas últimas semanas, dezenas de amedrontadas famílias xiitas abandonaram áreas predominantemente sunitas de Bagdá, algumas sob a mira de armas.