Título: Petrobrás de olho nas compras
Autor: João Caminoto
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/03/2006, Economia & Negócios, p. B11

Situação permite grandes aquisições, indica Gabrielli

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, indicou hoje que a saudável situação financeira da estatal poderá permitir que ela faça compras de grande porte que expandam a sua presença internacional. Questionado por um jornalista estrangeiro se a empresa estaria interessada na compra de ativos da petrolífera espanhola Repsol YPF, ele se limitou a sorrir, sem responder.

"Nossa principal estratégia é o crescimento orgânico, entretanto nossa forte posição financeira significa que temos de achar um uso para o nosso dinheiro", disse Gabrielli em entrevista coletiva na capital britânica. "Não podemos fechar os olhos para oportunidades, se acharmos que elas são boas, poderemos aproveitá-las."

Ele observou que a estatal acumulou um excesso de caixa de cerca de US$ 10 bilhões no ano passado. "A nossa projeção é que, com um barril custando US$ 25 (o preço atualmente é superior a US$ 60) acumulemos um caixa de US$ 57 bilhões até 2010, ou seja, cerca de US$ 10 bilhões por ano."

Gabrielli acrescentou que o vigor financeiro da empresa permitiria obter financiamentos para eventuais aquisições. Questionado qual seria o fôlego de eventuais compras, ele respondeu: "Nosso limite é a capacidade do nosso financiamento." Gabrielli ressaltou que a empresa "está procurando por oportunidades" nas áreas de refino e distribuição na Europa e Ásia.

Na área de exploração petrolífera, Gabrielli disse que a Petrobrás está expandindo sua presença internacional, com operações no Mar Negro, Tanzânia, Moçambique e participando de um licitação no Egito .

Gabrielli reafirmou que a estatal "mantém uma relação de longo prazo" entre os preços de seus combustíveis no mercado brasileiro e os preços internacionais de petróleo. Questionado se a estatal pretende reduzir o preço da gasolina diante da recente queda do petróleo, ele afirmou: "Não movemos os preços a cada alteração no petróleo."

Na avaliação de Gabrielli, os preços do petróleo deverão continuar "elevados, com muita volatilidade". Segundo ele, uma alta dos juros americanos poderá afastar parte dos fundos hedge e dos especuladores que atuam no mercado petrolífero. "Isso poderia causar uma pequena queda. No entanto, não vemos a perspectiva de nenhuma mudança de curto prazo na relação entre a oferta e a demanda, que continuará mantendo os preços elevados."

Dentro de quatro ou cinco anos, Gabrielli acredita que o aumento da capacidade de exploração e refino no mundo poderá causar uma queda maior nos preços.