Título: MST depreda fazenda e destrói laboratório no PA
Autor: Carlos Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/03/2006, Nacional, p. A15

O Movimento dos Sem-Terra (MST) reagiu com violência à retirada de 300 invasores da Fazenda Rio Vermelho, em Sapucaia, sul do Pará. Ao deixar a propriedade, o grupo fechou a rodovia PA-150, principal estrada da região e destruiu bens da Fazenda Peruana, em Eldorado dos Carajás. A desocupação da Rio Vermelho, de 26 mil hectares e 130 mil cabeças de gado, mobilizou mais de 200 homens do pelotão de choque da Polícia Militar, na segunda-feira.

Durante a operação foi preso o líder do MST Alberto da Silva Lima, o Tim Maia. Também foram apreendidos facões, machados e uma espingarda. Na Fazenda Peruana, além do incêndio da casa-sede, houve destruição de tratores e de um laboratório com sêmen selecionado para inseminação de matrizes bovinas.

O fazendeiro Jorge Mutran qualificou o ato do MST de "terrorista". Disse que no ano passado os invasores mataram um touro avaliado em R$ 2 milhões, com o qual fizeram um churrasco. A PM deve desocupar outras nove fazendas nos próximos dias. O secretário de Defesa Social, Manoel Santino Júnior, disse que a polícia já abriu inquérito para apurar os danos provocados pelo quebra-quebra na fazenda.

O vandalismo na Fazenda Peruana é apenas o começo de uma série de protestos violentos do MST contra a desocupação de dez fazendas na região pela Polícia Militar. O MST programou fechamento de estradas, invasão da sede da superintendência do Incra em Marabá e de outras fazendas se tiver de sair das áreas que hoje ocupa.

Peritos da Polícia Civil começaram ontem a levantar os estragos provocados pelos sem-terra. Funcionários da Fazenda Peruana contaram que foram ameaçados de morte e avisados de que o MST retornaria à propriedade ainda esta semana para ocupá-la definitivamente. O fazendeiro Benedito Mutran reforçou a segurança, temendo novos atos de vandalismo. "O prejuízo aqui já passa de R$ 3 milhões. Foi uma barbaridade o que fizeram", disse.

Para o secretário de Defesa Social do Pará, Manoel Santino, o que aconteceu na fazenda tem o mesmo perfil da destruição feita há duas semanas em uma fazenda da Aracruz Celulose, no Rio Grande do Sul. "Isso obedece a uma orquestração nacional do MST e só ocorre porque os vândalos se sentem protegidos e impunes diante da fraqueza do governo federal, que não age para coibir as sucessivas invasões e a depredação do patrimônio privado", afirmou. Ele acrescenta que as metas de reforma agrária não foram cumpridas, o que contribui para o quadro de insegurança no campo.