Título: Depois da inundação, Kassab e Matarazzo no Jardim Pantanal
Autor: Iuri Pitta
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/04/2006, Metrópole, p. C3

Depois de conviver por cinco dias com uma inundação, os moradores do Jardim Pantanal, em São Miguel Paulista, zona leste, receberam ontem a visita do prefeito Gilberto Kassab e do secretário da Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. Quando eles chegaram, as águas do Rio Tietê, que faz um cotovelo no local, já haviam baixado. Mas deu tempo para ver várias poças e a lama que tomava conta de algumas ruas, além de sentir o cheiro do esgoto. Os dois também viram as dezenas de montes de entulho que os moradores estão utilizando para aterrar as ruas e ficar acima do nível do Tietê.

Kassab e Matarazzo prometeram conversar com o secretário estadual de Recursos Hídricos, Mauro Arce, para que as comportas da Barragem da Penha sejam mantidas abertas, principalmente em dias de chuva. "Não anunciaram nada com relação a uma ação mais concreta e rápida", lamentou o líder comunitário Ronaldo Delfino de Sousa, de 42 anos. "Não queremos cestas básicas nem cobertores. Queremos morar com dignidade e não ser tratados como lixo", afirmou a dona de casa Vaniza Sampaio Formaggi, de 35 anos.

Pela terceira vez no ano, os 2.500 moradores do chamado Cotovelo do Pantanal, área invadida na várzea do rio, tiveram as casas inundadas. "O volume de água do rio começou a subir na quarta-feira, transbordou e transformou as ruas de terra em canais ", disse o segurança Alex Lippi, de 29 anos. "O nível das águas variou de meio metro a 1 metro e meio e deixou muita gente sem poder sair de casa."

No domingo, o nível baixou. "De repente começou a escoar", lembrou Sousa. "É que o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica do governo do Estado) abriu as comportas da Barragem da Penha depois que a imprensa noticiou a inundação." Os moradores querem que, além de manter comportas abertas, o governo realize obras de desassoreamento num trecho de 10 quilômetros do rio. "Esse serviço foi feito, em 1997, num trecho de 800 metros e ficamos nove anos sem enchentes", disse Sousa.

Os técnicos do Daee negam que a Barragem da Penha seja responsável pelo transbordamento do rio. Segundo eles, os moradores do Jardim Pantanal invadiram a várzea do Tietê numa área de preservação ambiental que fica abaixo do nível do rio. Os técnicos também afirmaram que a água das chuvas que atingem as cabeceiras do rio, no Alto Tietê, demora 72 horas para chegar a São Paulo.

O superintendente do Daee, Ricardo Borsari, disse que o único caminho para solucionar o problema é retirar as famílias da área. Segundo ele, ainda não houve nenhuma conversa com a Prefeitura, mas as negociações devem começar.

A Subprefeitura de São Miguel alegou que não há muito a fazer quando o bairro alaga e não havia condições de realizar o escoamento por meio de bombas, pois o rio estava cheio. Informou ainda que os moradores se negaram a ir para abrigos.