Título: Superbancada para apoiar Kassab
Autor: Iuri Pitta
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/04/2006, Metrópole, p. C3

Até quinta-feira, vereadores próximos do prefeito Gilberto Kassab (PFL) querem mostrar que o novo chefe do Executivo de São Paulo tem força. Aliados do pefelista já falam em contar com uma base governista superior à maioria da Câmara (28 dos 55 parlamentares) e devem articular alguma votação como "demonstração" desse poder de fogo. Mesmo assim, em público, Kassab mantém o discurso discreto, nega que esteja trabalhando para aumentar a bancada do PFL na Casa e garante que a "administração não vai promover loteamento" de cargos em troca de apoio.

Nos bastidores da Casa, acredita-se que a bancada do PFL subirá dos atuais 7 vereadores para 10 ou até 12 - os dois partidos com maior representação no Legislativo, PT e PSDB, têm 12 parlamentares cada um. Outro partido que quer crescer é o PMDB - hoje com três representantes -, aproveitando a negociação de uma chapa que una peemedebistas, tucanos e pefelistas para apoiar a candidatura do ex-prefeito José Serra (PSDB) ao governo do Estado.

Nos seus 15 meses de gestão na Prefeitura, Serra nunca consolidou maioria e, apesar de um ou outro contratempo, conseguiu a aprovação de quase tudo que desejava. "Mas uma coisa é José Serra e sua história política. Outra é Gilberto Kassab e seu histórico", ironizou um experiente parlamentar - o novo prefeito apoiou as gestões Paulo Maluf (1993-1996) e Celso Pitta (1996-2000).

Kassab sabe que qualquer deslize provocará denúncias de loteamento político, por isso deverá ser cuidadoso nas articulações. O que não significa que não vai fazê-las, como se pode entender do que contou um vereador que passou o fim de semana em "conversas políticas" com Kassab. "Se precisasse votar algo hoje, aprovaria fácil com mais de 30 votos."

Como cortesia, o novo prefeito fez uma visita oficial, ontem à tarde, ao Legislativo. Reuniu-se com o presidente da Câmara, Roberto Tripoli (sem partido), e mais da metade dos parlamentares, no 8º andar do Palácio Anchieta. Ouviu uma reclamação de que emendas apresentadas por vereadores ao orçamento não foram atendidas pela Prefeitura, mas nada que afetasse o clima amistoso.

Em entrevista à Rede Globo, Kassab repetiu ontem o discurso de continuidade dos últimos dias, até mesmo quando o assunto são as negociações com vereadores. "Esta administração vai dar continuidade à política iniciada pelo prefeito José Serra, colocando à frente das subprefeituras técnicos competentes e homens públicos experimentados, inclusive alguns vindos do próprio interior do Estado."

O prefeito negou que trabalhe para fazer seu partido crescer, curiosamente a tarefa que o fez ganhar destaque na legenda. "Não tenho nenhum entendimento a esse respeito no momento. Essas questões da Câmara Municipal são tratadas pela bancada do PFL e por seus vereadores", disse Kassab, vice-presidente estadual do partido.