Título: Europeus pressionam: ou Mercosul ou OMC
Autor: Jamil Chade
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/03/2006, Economia & Negócios, p. B6

A União Européia (UE) avisa que o Brasil não deve esperar concessões simultâneas de Bruxelas nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e no processo de criação de uma área de livre comércio entre europeus e o Mercosul. "Não vamos pagar duas vezes", alertou a comissária agrícola da UE, Marianne Fischer Boel, em declarações ao Estado.

A mensagem da UE é clara: não adianta o Brasil pressionar por uma abertura na OMC e, ao mesmo tempo, esperar que vai conseguir um maior acesso ao mercado europeu nas negociações entre o Mercosul e a UE.

Já o Brasil, porém, se queixa de que não está conseguindo um acesso satisfatório ao mercado europeu nem na OMC nem no diálogo bilateral. Na OMC, a proposta européia de corte de suas tarifas daria um acesso mínimo às exportações brasileiras de produtos agrícolas. O corte de impostos de importação seria abaixo de 38%. Para o Itamaraty, um maior fluxo de comércio somente será criado se a UE oferecer um corte de pelo menos 54%.

Já na última vez em que a UE e o Mercosul trocaram ofertas nas negociações bilaterais, há mais de um ano, o acesso oferecido por Bruxelas não representaria nem mesmo o que o Brasil já exporta atualmente ao bloco.

Apesar da importância dada pelo Brasil ao encontro, os europeus não incluíram a reunião com o Mercosul como um dos itens relevantes de suas reuniões de ontem.

O tema não foi tratado nem na reunião de ministros de Relações Exteriores dos 25 países membros da UE nem na reunião de ministros de Agricultura. Vários porta-vozes especializados em comércio ou relações exteriores da UE nem sequer sabiam que o encontro seria hoje. Segundo informado posteriormente, tratava-se só de uma "reunião técnica" entre os dois blocos.